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Economia

Brasil é um país de empreendedores

  • Por Agência Estado

São Paulo – O Brasil ocupa atualmente a 7.ª posição no ranking de países empreendedores. De cada sete brasileiros, um é empreendedor, segundo apurou a 4.ª edição da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no período de maio a agosto do ano passado. Na pesquisa realizada em 2000, o Brasil ocupava o 1.º lugar, caindo depois para a 5.ª posição no ano seguinte. “O Brasil perdeu alguns pontos por causa das crises internas, mas novos países com alto índice de empreendedorismo entraram na pesquisa”, justifica o coordenador do GEM no Brasil, Marcos Müller Schlemm.

A queda é justificada pela entrada de mais nove países no GEM e também pela persistência de um desaquecimento econômico no País e as conseqüências de crises externas, como os efeitos dos ataques de 11 de setembro e a quebradeira na Argentina. Como reflexo dessa desaceleração, houve a inversão das proporções de empresas nascentes (com no máximo três meses de existência) e novas (entre três meses e três anos e meio).

No ano passado, as nascentes representaram 40% do total de empresas, enquanto o porcentual de novas empresas ficou em 60%. Em 2001 e 2000, as empresas com menos de três meses eram 66%, e as novas 34%.

Quando se comparam os resultados mundiais de 2000 até 2002, percebe-se que a atividade empreendedora teve uma queda de 25% entre 2001 e 2002 entre os 28 países do GEM 2001. Isso reflete uma estabilidade global no crescimento econômico no período de 2000 a 2001 e um declínio geral nas taxas locais desse crescimento entre 2001 e 2002. Porém, segundo o estudo, apesar da queda em 2002, as posições relativas entre os países tendem a permanecer estáveis ao longo do tempo.

Atrás do aparente bom posicionamento do País, entre os dez primeiros do ranking, está um fator muito pouco positivo. Em 2002, a pesquisa contou com um refinamento na metodologia, que diferencia as razões que levam uma pessoa a começar um novo negócio: empreendedores motivados pela abertura de novos mercados (oportunidade) e aqueles que vêem a iniciativa como uma saída para a falta de opções de renda (necessidade).

A distinção dos fatores que levam as pessoas à decisão de empreender acaba por diferenciar a dinâmica da atividade. “Quem é movido pela necessidade, não pensa em crescer, gerar mais empregos; ele quer manter, no máximo, dois funcionários”, afirma Schlemm.

O Brasil lidera o empreendedorismo por necessidade, com uma taxa de atividade empreendedora total (TAE) de 7,5%, enquanto o empreendedorismo por oportunidade fica em 5,8%. Em relação ao total de empreendimentos, 42% são motivados por oportunidade e 55% por necessidade. “Isso mostra que a economia não está favorável à criação de novos postos de trabalho que remunerem adequadamente.”

Junto com Argentina e China, o País constitui o único grupo de países cuja taxa por necessidade supera a de oportunidade. Em 17 dos 37 países, o nível de atividade por necessidade se mostra abaixo de 1% e, em seis deles, está abaixo de 0,5%. Na França e Espanha, não há praticamente nenhum empreendedor motivado por necessidade.

Schlemm aponta como outros fatores críticos a dificuldade de acesso a créditos e o alto custo dos financiamentos, elevada carga de tributos e exigências legais e fiscais, e falta de capacitação para a gestão do negócio. Contribui para essa limitação a falta de um mercado organizado de capitais de risco (venture capital), que poderiam dar uma sustentação mais ágil e com menores custos. “Quem empreende aqui é um herói”, afirma.

Schlemm cita como exemplo de apoio ao empreendedor o Banco da Mulher, que financia mulheres de baixa renda com juros mais baixos e dispõe de assistentes sociais que avaliam a real necessidade de capital, para evitar o endividamento desnecessário. “Não basta só dar o crédito.”

Em relação à participação da mulher como empreendedora, o Brasil manteve sua posição de destaque, com uma participação de 42% do total de empreendedores, acima da média mundial de 39,9%. A mudança do tipo de empreendedorismo no Brasil passa também pela questão da educação. “Pode-se afirmar que quanto menor os anos de estudo, maior a motivação pela necessidade”, afirma Schlemm.

A mais recente versão da pesquisa, realizada pela parceria entre a London Business School (GB) e a Babson College (EUA), foi feita em 37 países, atingindo cerca de 62% da população mundial. No Brasil, a pesquisa ficou a cargo do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Paraná (IBQP-PR). A GEM 2002 indica que perto de 460 milhões de pessoas estão hoje envolvidas em atividades empreendedoras.

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