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| Evo Morales: queremos parceiros, não patrões. |
Belo Horizonte (AE) – O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que o grande objetivo do seu governo é o aproveitamento dos recursos naturais como forma de resolver os problemas econômicos da população. ?Temos obrigação de aproveitar ao máximo nossos recursos naturais?, afirmou. Na abertura do encontro anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), acentuou: ?Queremos sócios e não patrões dos nossos recursos naturais. O saque a nossos recursos naturais deve acabar.?
O presidente boliviano afirmou que a intenção do governo não é expropriar os bens das empresas que atuam no país. ?Uma coisa são os recursos naturais, outra são os bens das empresas.? Diplomático, o secretário especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que o Brasil vai respeitar a decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas de gás e petróleo. Segundo ele, o que não está claro para o Brasil são as garantias que a Bolívia dará à Petrobras e a outras empresas que têm investimentos na exploração de gás e petróleo no país vizinho. A Petrobras já injetou, desde 1996, US$ 1,5 bilhão na Bolívia, além de US$ 2 bilhões para transportar o gás boliviano no território brasileiro.
Ontem pela manhã Evo Morales se encontrou com o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Ambos firmaram acordo para que uma comissão de alto nível venha ao Brasil na próxima semana para iniciar negociações com a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia no que se refere ao gás.
O clima entre os dois países começou a azedar no final do mês passado, quando o ministro de hidrocarbonetos boliviano, Andrés Solíz, criticou duramente a Petrobras e o governo brasileiro. ?Todos são maravilhosamente amigos até que se toquem seus bolsos e se diga que é preciso aumentar o preço. Aí vêm as piores coisas que se pode imaginar?, disse Solíz.
Em seguida, o presidente da Petrobras contra-atacou e disse que os investimentos da empresa no país vizinho estavam suspensos ?por falta de diálogo?.
Ontem pela manhã Morales se encontrou com o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Ambos firmaram acordo para que uma comissão de alto nível venha ao Brasil, na próxima semana, para iniciar negociações com a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia no que se refere ao gás.
FMI recomenda aumento das reservas do Brasil
Belo Horizonte (AE) – O Brasil deve manter a estratégia de acumular reservas internacionais, já que o volume atual, de aproximadamente US$ 61 bilhões, ainda não é adequado para fazer frente a uma eventual crise de liquidez, avaliou ontem o vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Agustin Carstens. ?Seria bom do ponto de vista da prudência?, alertou Carstens. Na comparação com outros países latino-americanos, as reservas brasileiras indicam um ?nível médio? de vulnerabilidade enquanto México, Venezuela e Colômbia têm vulnerabilidade ?baixa?. Junto com o Brasil, Carstens incluiu Argentina, Peru e Chile como países que deveriam reforçar o volume de reservas.
Independentemente do balanço de pagamentos de cada país, o critério de avaliação do FMI, para as reservas adequadas, leva em consideração as obrigações da dívida externa no curto prazo, deduzidas da posição líquida em moeda estrangeira do sistema financeiro doméstico. Carstens explicou que essa avaliação faz parte do trabalho de acompanhamento que os técnicos do FMI fazem das contas de cada um dos países membros, como o Brasil.
Apesar da recomendação, Carstens explicou que não estava sugerindo a acumulação de reservas gigantescas, mas apenas um reforço adicional. Segundo ele, seria uma estratégia caso o atual bom momento internacional sofra uma reviravolta. O México tinha US$ 76,7 bilhões (janeiro) em reservas e um déficit de conta corrente de US$ 5,7 bilhões (12 meses até dezembro). Já a Venezuela tinha US$ 23,9 bilhões em reservas e um superávit em conta corrente de US$ 24,5 bilhões (em 12 meses até dezembro). A Colômbia tinha US$ 14,9 bilhões em reservas e um déficit de US$ 1,7 bilhão (12 meses até setembro).
A situação dos três países colocados no mesmo ranking do Brasil é a seguinte, em termos de reservas internacionais: Argentina (US$ 18,7 bilhões, em janeiro), Peru (US$ 13 bilhões, em fevereiro) e Chile (US$ 16,1 bilhões em fevereiro). Apenas a título de comparação, as reservas da Índia somam US$ 150 bilhões e as da China ultrapassaram US$ 1 trilhão este mês.
Carstens explicou que o FMI apoiou a acumulação de reservas em alguns países latino-americanos, como o Brasil e a Argentina. Mas ponderou que o processo de acumulação de reservas deve ser feita dentro de ?critérios objetivos? e não para limitar a apreciação de moedas locais. Segundo o vice-diretor do FMI, as regras do México são um bom paradigma. Desde o início de 2004 até o final de março deste ano, o Banco Central informa ter comprado US$ 35 bilhões e outros US$ 19 bilhões foram comprados pelo Tesouro Nacional.
Manifestantes entram em choque com a polícia
Belo Horizonte (AE) – Manifestantes contrários à realização da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Belo Horizonte, entraram em confronto ontem cedo com a Polícia Militar em pelo menos dois protestos efetivados na capital de Minas Gerais. Os incidentes ocorrem no dia da abertura oficial da Assembléia Anual dos Governadores do BID, com a presença de ministros e chefes de Estado.
Na Praça 7, centro da capital mineira, distante poucos quarteirões de onde está sendo realizada a solenidade de abertura do encontro, manifestantes entraram em choque com os policiais militares. Na confusão, um auxiliar de cinegrafista de uma televisão local ficou ferido, ao ser atingido por uma bala de borracha, e foi hospitalizado.
Manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) chegaram a ocupar o hall de entrada da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), e promoveram um quebra-quebra. PMS e manifestantes ficaram feridos, e conforme as primeiras informações, 5 pessoas que participaram dos atos, foram presas. Diversos movimentos sociais, entre eles o MST e a CUT, programaram uma série de atividades paralelas em Belo Horizonte, ao evento do BID. Os quarteirões próximos ao Palácio das Artes, onde se realiza a solenidade de abertura da reunião anual, foram isolados pela PM.



