Os governos do Brasil e da Argentina vão convocar os representantes das montadoras de ambos os países para uma reunião na próxima semana, em São Paulo, para discutir uma solução à retração dos negócios no setor. A decisão foi tomada nesta terça-feira, em Buenos Aires, durante reunião do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MIDC), Mauro Borges, o secretário-executivo do Ministério de Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, com os ministros argentinos Axel Kicillof (Economia) e Débora Giorgi (Indústria), e o presidente do Banco Central da Argentina, Juan Carlos Fábrega.

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Em encontro que durou uma hora, segundo a assessoria de imprensa do MIDC, os dois governos “avançaram na decisão de tentar equalizar uma proposta conjunta para o financiamento das exportações”. A assessoria disse que o objetivo do estabelecimento de uma linha de crédito para as exportações é “garantir a liquidez do comércio”.

Este foi o terceiro encontro de autoridades dos países sócios do Mercosul para discutir o problema. No primeiro trimestre, as exportações brasileiras de automóveis para o mercado argentino retrocederam 32%, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Na semana passada, Moan se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, para discutir o problema.

Borges e a comitiva brasileira evitaram o contato com a imprensa ao sair do Ministério de Economia da Argentina utilizando um elevador privado, ao contrário das autoridades locais, que usaram o elevador público. Na saída, Kicillof classificou a reunião de “excelente”, enquanto Fábrega disse que ela “permitiu continuar o trabalho para a próxima semana no Brasil”. Os dois países negociam instrumentos de financiamento das importações argentinas de automóveis fabricados no Brasil, mas os detalhes destes mecanismos não foram informados.

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Há quase um mês, na Costa do Sauípe, Bahia, durante a assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os dois governos assinaram um memorando de entendimento sobre o assunto. No início de março, Borges também se reuniu com os argentinos para negociar maior fluidez do comércio bilateral.

A preocupação do governo brasileiro com a queda das vendas ao mercado do principal sócio na região tem sustentação nos números. No primeiro trimestre, conforme últimos dados disponíveis, o comércio bilateral recuou 17% em relação ao mesmo período de 2013. Enquanto os embarques argentinos ao Brasil recuaram 21%, as exportações brasileiras aos argentinos caíram 13%, conforme análise da consultoria Abeceb.

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Embora a Argentina tenha tido um superávit de US$ 35 milhões em março, no acumulado do primeiro trimestre o superávit é do Brasil com US$ 262 milhões. No ano passado, no mesmo período, a Argentina teve um superávit de US$ 82 milhões, conforme a Abeceb, baseada em números do MIDC.