Depois de dois meses de discussão, Brasil e Argentina devem formalizar até o fim deste mês um pacote de medidas para reativar o comércio bilateral e para solucionar parcialmente a dívida acumulada por importadores argentinos. A principal decisão será a adoção de um novo modelo para o Convênio de Crédito Recíproco (CCR), mecanismo de compensação dos débitos e créditos das operações de comércio pelos bancos centrais. Para evitar novos calotes, o pacote prevê que todas as trocas do setor automotivo deverão ser feitas pelo CCR, possibilitando que essas transações sirvam como uma espécie de aval para o comércio entre os dois sócios do Mercosul.
Para ser formalizado, o pacote, que foi assinado pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Duhalde no início de julho, em Buenos Aires, precisa ter sua regulamentação publicada pelos bancos centrais dos dois países. Também será preciso que a nova versão do acordo automotivo entre Brasil e Argentina seja protocolada na Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Fontes do governo informaram que essas medidas serão tomadas até o fim do mês.
Fechado às pressas para impedir o fracasso da última Reunião de Cúpula do Mercosul, o pacote teve o objetivo de dar ao mundo um sinal de que o bloco, debilitado pela crise econômica de seus quatro sócios, ainda sobrevive. Outro objetivo era estimular a recuperação da produção na Argentina a partir da retomada do comércio com o Brasil.
Sem a certeza da formalização, o texto foi elaborado na forma de um ?memorando de entendimento? para desobstruir o comércio e regular as trocas de veículos e autopeças entre os dois países até a instauração do livre comércio do setor, em 2006.
Os dois governos decidiram flexibilizar e ampliar o raio de ação do CCR, que é um dos instrumentos mais eficientes para financiar o comércio exterior. O limite para as operações financiadas em menos de 360 dias aumentará de US$ 100 mil para US$ 200 mil. A cada 15 dias, os bancos centrais da Argentina e do Brasil farão o acerto de contas, para evitar o acúmulo de passivos de um dos lados.


