Economia

Brasil e Argentina mantêm parceria comercial de US$ 31 bilhões

Imagem mostra uma calculadora com um gráfico em formado de pizza e símbolos de dinheiro ao lado.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

Brasil e Argentina mantêm uma parceria comercial de US$ 31 bilhões em 2025, apesar da tensão diplomática causada pelas declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos. As informações são da Gazeta do Povo.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 18,1 bilhões em 2025, crescimento de 31,4% em relação ao ano anterior. A participação argentina nas exportações brasileiras chegou a 5,2%, o maior patamar desde 2018.

Grande parte desse desempenho foi impulsionada pelo setor automotivo, com destaque para carros de passeio, autopeças, acessórios e veículos de carga. A indústria de transformação também teve forte contribuição, com avanço de 3,8% no valor total exportado.

O crescimento das vendas para a Argentina ajudou a compensar parte dos efeitos da desaceleração econômica internacional e das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Na semana passada, o governo de Donald Trump impôs um tarifaço de 37,5% sobre produtos brasileiros. A Argentina recebeu alíquota mínima de 10% após firmar acordo bilateral com Washington.

Historicamente, a Argentina já buscou apoio do Brasil em momentos de dificuldades cambiais, escassez de reservas internacionais e crises de abastecimento. Em 2024, durante uma forte onda de frio que provocou escassez de gás natural, o governo de Milei recorreu ao Brasil para viabilizar a liberação de um carregamento de 44 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito fornecido pela Petrobras.

Em 2023, a Argentina contou com apoio brasileiro em meio ao risco de um calote técnico junto ao Fundo Monetário Internacional. Como principal acionista do Banco de Desenvolvimento da América Latina, o Brasil apoiou politicamente a aprovação de um empréstimo ponte emergencial de US$ 1 bilhão utilizado pelo governo argentino para quitar compromissos com o organismo internacional.

Embora Lula e Milei mantenham posições políticas divergentes e a relação entre os dois governos seja marcada por sucessivos atritos, a cooperação entre os países continua ocorrendo em temas considerados estratégicos. Nos bastidores diplomáticos, interesses econômicos e de integração regional têm prevalecido sobre as divergências ideológicas.

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