O governo brasileiro avaliará como cada setor está sofrendo com a desvalorização do dólar para decidir como abrirá seu mercado de bens industriais nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os diplomatas do País estão elaborando listas de setores que poderão ser considerados como sensíveis e que, portanto, não sofreriam os mesmos cortes de tarifas propostos pela OMC.

Negociadores revelaram que entre os critérios que irão usar para determinar se um setor precisa ser protegido está o equilíbrio entre importações e exportações das empresas daquele ramo industrial. Por esse método, portanto, o dólar desvalorizado será incluído nos cálculos. A idéia é a de evitar que um setor que esteja sofrendo para ser competitivo por causa da desvalorização da moeda norte-americana acabe recebendo outro choque externo, desta vez com as quedas nas tarifas de importação.

A Rodada Doha foi lançada em 2001 e, agora, a OMC apresenta propostas de liberalização dos mercados para tentar chegar a um acordo final. O problema é que, pela proposta, o Brasil teria de cortar em quase 60% suas tarifas. Em Bruxelas e Washington, diplomatas insistem que somente poderá haver um acordo na OMC se países como Brasil, Argentina e outros emergentes aceitarem um corte profundo nas barreiras de bens industriais. O País já indicou que aceitaria uma redução de no máximo 50%.

No Itamaraty, a idéia é a de criar critérios para que seja decidido quais setores ganharão proteções especiais. Além do equilíbrio entre importações e exportações, aspectos como grau de competitividade, margem de preço e ainda níveis de geração de emprego serão calculados. Setores como automóveis, químicos, têxteis e calçados estão entre os principais concorrentes a ganhar proteções.