O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sinalizou que a Petrobras vai contratar mais navios petroleiros, em discurso durante cerimônia de lançamento ao mar do navio petroleiro André Rebouças, no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no município de Ipojuca (PE). O navio faz parte do Programa de Mobilização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, subsidiária de logística da estatal.

Até hoje, 49 navios foram encomendados, em duas fases do programa. Apenas ao EAS, foram 22, dos quais quatro já foram entregues e mais um está em fase de conclusão. Há a expectativa, no entanto, de que alguns contratos sejam incluídos no plano de desinvestimento da Petrobras que, em dificuldades financeiras, comunicou que pisará no freio no desenvolvimento de projetos.

“Não ficaremos no Promef 1 e 2”, disse Braga a uma plateia de trabalhadores do EAS, que hoje vivem em um ambiente de insegurança, por causa das demissões ocorridas recentemente no estaleiro. Pelas contas do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, 1,4 mil funcionários foram desligados do Atlântico Sul desde outubro.

As últimas demissões foram em abril. Controlado por empresas envolvidas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal – Camargo Corrêa e Queiroz Galvão -, o EAS está sendo prejudicado, principalmente, pelo atraso no pagamento pela Sete Brasil, que contratou ao estaleiro sete sondas de perfuração que serão usadas pela Petrobras.

Ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o presidente da Transpetro, Cláudio Campos, afirmou que não há, na subsidiária, definição sobre cortes no Promef. “O plano de desinvestimento está sendo tratado pela Petrobras (controladora)”, disse.

A cerimônia de lançamento do navio André Rebouças foi marcada, hoje, por um tom nacionalista. De um lado, empresários pedindo apoio do governo para continuar gerando emprego localmente. Do outro, a presidente Dilma Rousseff enfatizando que, “em seu governo”, a política de conteúdo local está mantida.

A fala da presidente difere, no entanto, do recado dado pelo ministro Braga a investidores, nos Estados Unidos, de que a política de conteúdo local vai mudar. Ontem, assim como Dilma, o ministro ressaltou que a exigência de contratação de bens e serviços localmente é uma bandeira dos governos do PT, iniciada ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Políticas públicas constroem e fazem a diferença”, discursou Braga.