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Caixa automático do Bradesco:
superando todas as marcas.

O Bradesco obteve lucro líquido de R$ 2,621 bilhões no primeiro semestre deste ano, resultado 109,7% superior ao de igual período do ano passado (R$ 1,25 bilhão). O lucro do maior banco privado brasileiro é novamente superior ao do Itaú, que durante muito tempo foi a instituição financeira mais rentável do País.

O Itaú já anunciou lucro de R$ 2,475 bilhões no mesmo período, resultado que, segundo a consultoria Economática, era o maior da história entre os bancos brasileiros.

Somente no segundo trimestre deste ano, o Bradesco lucrou R$ 1,416 bilhão, um crescimento de 17,5% em relação aos primeiros três meses (R$ 1,205 bilhão) e avanço de 120% sobre igual época de 2004 (R$ 641 milhões). O vice-presidente do banco, José Luiz Acar, atribuiu o desempenho do semestre ao crescimento orgânico e ao fortalecimento do crédito, entre outros fatores.

A base de correntistas do Bradesco cresceu 6,5% do primeiro semestre do ano passado para o final de junho de 2005, passando de um total de 15,4 milhões de clientes para 16,4 milhões.

Crédito

A carteira de crédito – excluindo avais de fianças – teve expansão de 19,5% no período e alcançou R$ 69,8 bilhões. Do lucro registrado pelo banco no primeiro semestre, 34% veio do crédito.

Os empréstimos para pessoas físicas cresceram 50,5% e somaram R$ 26,8 bilhões, representando 38% do crédito concedido pelo banco no semestre, contra 30% em junho do ano passado. O financiamento para as pequenas e médias empresas aumentou 23,3% e chegou a R$ 20,1 bilhões, mas a participação desse segmento ficou praticamente estável em relação ao final do primeiro semestre de 2004, passando de 28% para 29%.

Já o crédito para grandes empresas caiu 5,7% e ficou em R$ 22,9 bilhões. A participação das companhias de grande porte na carteira de empréstimos do banco caiu de 42% para 33% entre o final de junho do ano passado e igual mês deste ano.

Entretanto, devido ao expressivo crescimento na carteira de crédito para pessoas físicas, o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, revisou para cima a previsão de expansão dos empréstimos para o ano. Ele espera agora um aumento entre 20% e 25% na carteira em 2005. Na projeção anterior, Cypriano previa expansão de até 22% no crédito.

De acordo com Cypriano, os acordos com diversas redes de varejos têm propiciado o crescimento de empréstimos ao consumidor. O banco fechou parcerias com a Casas Bahia, Lojas Salfer, rede Comper, Lojas Colombo e Lojas Leader.

Somente a carteira de crédito com a Casas Bahia totalizou R$ 707 milhões em junho, ficando próxima da meta para o ano, que era de R$ 1 bilhão.

Serviços

O ganho do banco com prestação de serviços subiu 27% no primeiro semestre deste ano e atingiu R$ 3,421 bilhões. O Bradesco justifica o crescimento com o aumento do volume de operações e da base de clientes, e não com a alta de tarifas.

No final de junho deste ano, o total de depósitos do banco somava R$ 71,7 bilhões, um crescimento de 11,7% em um ano.

Os ativos totais do Bradesco ultrapassaram R$ 194,5 bilhões, um crescimento de 10,4% nos últimos 12 meses.

O valor de mercado do Bradesco ultrapassou a marca de R$ 39 bilhões, evoluindo 94,1% de junho de 2004 até o mesmo mês deste ano. A evolução é bastante superior ao Ibovespa (índice que inclui o preço das ações das principais empresas brasileiras com ações em bolsa), que avançou 18,5% na mesma comparação.

Concorrentes

O Bradesco é o terceiro entre os grandes bancos a divulgar resultados do semestre. O primeiro foi o Banespa, que lucrou R$ 878,027 milhões no período, seguido pelo Itaú, que registrou ganhos de R$ 2,475 bilhões (R$ 641 milhões).

O balanço do Unibanco sai no dia 11 deste mês e o do Banco do Brasil, no dia 15.

Crise política ainda não afeta negócios

A crise política doméstica, com as denúncias de corrupção no Congresso e nos Correios, ?com certeza? não afetou os negócios no segundo trimestre deste ano, segundo avaliação do presidente do Bradesco, Márcio Cypriano. ?Eu acho que os fundamentos da economia são muito positivos, mas é claro que essas denúncias precisam ser apuradas com a maior brevidade possível para que o País possa crescer?, afirmou.

Segundo Cypriano, uma pesquisa feita pelo Bradesco com seus clientes mostrou que 89% das empresas estão mantendo as expectativas de investimentos nos negócios e que 85% dos exportadores mantêm seus planos de vendas. ?A área econômica talvez possa contaminar positivamente a parte política, o que é um grande trunfo?, disse.

O suposto esquema de ?mensalão? – pagamento que seria feito pelo PT a parlamentares em troca de apoio no Congresso – veio à tona no dia 6 de junho. As denúncias foram feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos alvos das denúncias de corrupção nos Correios, que surgiram em meados de maio.

O banco divulgou ontem que teve lucro de R$ 1,416 bilhão no segundo trimestre de 2005, um crescimento de 17,5% em relação aos primeiros três meses do ano e avanço de 120% sobre igual período de 2004.