O Bradesco venceu, ontem, o leilão para a compra do BEM (Banco do Estado do Maranhão), realizado na Bolsa de Valores de São Paulo. O banco ofereceu R$ 78 milhões pelo BEM, um ágio de 1,073% sobre o preço mínimo, fixado em R$ 77,172 milhões. Esse é o primeiro leilão de privatização do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também estava na disputa o Itaú, que ofereceu o preço mínimo pelo banco maranhense.

Desde 1999, esse é o terceiro banco estatal adquirido pelo Bradesco. Naquele ano, o banco levou o Baneb (Banco do Estado da Bahia), por R$ 260 milhões; e, em 2002, ficou com o BEA (Banco do Estado do Amazonas), por R$ 1,372 bilhão.

Somente em 2003, o Bradesco comprou o BBV Brasil, a área de gestão de fundos do JPMorgan, o banco Zogbi e a financeira Finasa.

Um dos grandes atrativos do banco maranhense é a concentração de contas do funcionalismo público estadual e municipal.

Segundo informações do presidente do BEM, Reginaldo Brandt, a instituição maranhense possui atualmente cerca de 186 mil contas ativas, destas, aproximadamente 120 mil são de funcionários do Estado.

O Banco do Maranhão conta com 76 agências, sendo nove em São Luís e 67 distribuídas no interior.

O Bradesco, com uma rede de 25 agências no Maranhão – seis na capital e 19 no interior -, conta com 180 mil contas correntes ativas na região.

As operações do Banco do Maranhão serão assumidas pelo Bradesco no próximo dia 13, data em que está marcada a liquidação da compra do banco e a eleição de sua nova diretoria.

Lucros

O diretor-executivo do Bradesco, Sérgio de Oliveira, disse que acredita no desenvolvimento do Maranhão e afirmou esperar que a aquisição traga lucros para o conglomerado.

Sobre a incorporação, Oliveira afirmou que o BEM já trabalha com uma estrutura bastante enxuta de funcionários e possui tecnologia avançada.

Em alguns municípios do Maranhão, o único banco presente é o BEM, o que também chamou a atenção do Bradesco, segundo Oliveira.

O diretor de liquidações e desestatizações do Banco Central, Antônio Gustavo Matos do Vale, afirmou que o fato de a oferta de compra ter ficado próxima do preço mínimo mostrou que a avaliação do banco maranhense foi “bem feita”.

“Mas a expectativa era que a oferta fosse maior”, disse Vale.

Banco do Ceará é o próximo

O BEC (Banco do Estado do Ceará) deve ser o próximo para privatização. A informação é do diretor de liquidações e desestatizações do Banco Central, Antônio Gustavo Matos do Vale.

“Imagino que a privatização do Banco do Ceará sairá primeiro”, afirmou Vale, que esteve presente ontem ao leilão de venda do BEM (Banco do Estado do Maranhão), adquirido pelo Bradesco por R$ 78 milhões, 1,073% acima do preço mínimo.

Vale disse que somente a avaliação financeira do banco deve levar mais de quatro meses para ser concluída, portanto o leilão não deverá ocorrer antes do segundo semestre.

Segundo Vale, o Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) também continua dentro do PND (Programa Nacional de Desestatização) para ser privatizado.

Outra instituição que está na lista de privatizações é o BEP (Banco do Estado do Piauí).

“Eu diria que as negociações do Banco do Ceará estão mais avançadas.”