Apenas 16 empresas paranaenses estão entre as companhias com ações na Bolsa de Valores. Fora do eixo Rio-São Paulo, são 156 de um total de 466 empresas com capital aberto. Para tentar mudar esse quadro, a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) tem intensificado ações para aumentar a prospecção de empresas nos demais estados e regionalizar o mercado, com foco principal nas pequenas e médias empresas, nicho onde o número de empresas participantes pode crescer consideravelmente.

Até 2014, a perspectiva é que 200 novas empresas entrem na Bolsa, das quais se espera que boa parte seja de pequenas e médias, com necessidade de capital para continuar crescendo. Mas o processo para essa abertura de capital não é simples ou fácil. “Estimamos um mínimo de três anos de preparação para que a empresa esteja pronta. À medida que a empresa cresce, consequentemente ela vai precisar de novas formas de investimento, mas para isso ela precisa, antes de mais nada, entender como isso funciona”, diz a diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, Cristiana Pereira.

E claro que esse aprendizado requer um custo com pessoal e serviço especializados. “O empresário precisa estar disposto para não se frustrar e tirar o máximo de proveito possível”, ressalta a diretora da BM&FBovespa. Do outro lado, os benefícios apontados são bem atraentes. “O acesso a dinheiro fica facilitado e as ações podem ser usadas como moeda de troca, além do ganho institucional indireto, uma vez que melhora o relacionamento com bancos e outras fontes de financiamento”, afirma Cristiana. Além disso, as possibilidades de que os novos investidores contribuam para adquirir empresas concorrentes são grandes.

Foi o que aconteceu com a empresa paranaense Bematech, conhecida pelos aparelhos de impressão de cupom fiscal. A empresa, que começou nos anos 1980 com a ideia de duas pessoas para a criação de um mecanismo de impressão concebido, na época, para Telex, hoje conta com 1,2 mil colaboradores no Brasil e em unidades nos Estados Unidos e na Ásia.

Com visão de mercado, os dois sócios sabiam que precisavam de capital e, depois de contato com um grupo de investidores – que injetaram R$ 150 mil na empresa –, o crescimento do negócio foi impulsionado. A abertura de capital da Bematech ocorreu em 2007, a partir de quando a empresa deixou de ser apenas uma fabricante de impressoras para passar a ser provedora de soluções em tecnologia para o comércio, oferecendo o pacote completo, incluindo software e serviço de manutenção.

A partir do capital adquirido na Bolsa, a empresa paranaense comprou outras oito empresas, sendo uma de serviços, outra de equipamentos e o restante de companhias de softwares.

As outras empresas paranaenses presentes na Bolsa hoje, além da Bematech, são: ALL; Battistella; Cia. Cacique de Café Solúvel; Cia. Iguaçu de Café Solúvel; Copel; Cia. Providência Indústria e Comércio; Sanepar; DTCOM; concessionária Econorte; Inepar Energia e Inepar Telecomunicações; Metalgráfica Iguaçu; Paraná BCO; Positivo Informática; e Terminais Portuários Ponta do Félix.

Seminário

Para tirar dúvidas e dar mais explicações sobre o mercado de abertura de capital, seminários têm sido feitos de maneira constante por todo o País. No Paraná, a BM&FBovespa mantém parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), onde nesta quarta-feira (13) aconteceu o encontro “Abertura de capital – sua empresa na Bolsa de Valores”.