Economia

Bolsa bate recorde e dólar cai após resultado do primeiro turno

Imagem mostra notas de dólar em um leque.
Foto: Pixabay/ Brett Hondow

A bolsa de valores brasileira, a B3, abriu nesta terça-feira (6) em recorde histórico de 208,9 mil pontos, com alta de 1%. O dólar seguiu em queda e foi negociado a R$ 4,946, abaixo dos R$ 5. O movimento reflete a reação do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4), quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. As informações são da Gazeta do Povo.

Na segunda-feira (5), primeiro dia de negociações após a votação, a bolsa fechou em alta de 7,7%, aos 206,1 mil pontos. O dólar caiu 4,1% e encerrou o dia a R$ 5,001, menor cotação desde maio deste ano.

Investidores começam a se ajustar à possibilidade de mudança no governo federal. Para o mercado financeiro, um governo liderado por Flávio tem mais chances de realizar ajustes fiscais, ou seja, cortes de gastos públicos para equilibrar as contas do governo.

Lula é visto com desconfiança pelo mercado. Essa percepção aumentou com o pacote de medidas adotado antes do primeiro turno, que incluiu o aumento dos valores do Bolsa Família, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões. O governo também deixará de receber R$ 1,5 bilhão em receitas com o fim das bets, sites de apostas online.

A dívida bruta brasileira atingiu 82,9% do PIB. A avaliação é que as regras atuais do arcabouço fiscal, conjunto de normas que define limites para gastos públicos, não têm sido suficientes para conter esse avanço.

Para compensar o risco de financiar um governo endividado, investidores passam a exigir retornos maiores nos títulos públicos. Isso eleva os juros futuros e força o Banco Central a manter a taxa básica de juros alta para conter a inflação, atualmente em 13,75%. O resultado é o encarecimento do crédito para empresas e famílias.

Declarações de Lula que relativizam a necessidade de superávits fiscais ou que expandem gastos para programas sociais perto do período eleitoral acendem o alerta do mercado. Sem uma indicação clara de controle rígido de despesas para o futuro, os agentes projetam um cenário de dominância fiscal, situação na qual a política fiscal expansionista mina os efeitos da política monetária.

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