As expectativas do mercado financeiro para inflação e juros pioraram significativamente após a reeleição do presidente Lula (PT). O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) aponta que o IPCA de 2027 deve atingir 4,76%, ultrapassando o teto da meta de inflação, que é de 4,5%. A estimativa anterior era de 4,34%. As informações são da Gazeta do Povo.

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A meta de inflação estabelecida pelo governo é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O levantamento também mostra deterioração nas projeções para 2029, quando a inflação esperada saltou de 3,50% para 3,98%.

A taxa Selic projetada para o final de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%, representando alta de 0,75 ponto percentual. Para 2028, a expectativa avançou de 10% para 11%, aumento de um ponto percentual completo.

A dívida líquida do setor público em relação ao PIB também teve piora nas estimativas. Para 2028, a projeção passou de 76,60% para 77,20%. Em 2029, o indicador deve alcançar 79,69%, contra os 79,13% previstos anteriormente.

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O boletim anterior tinha como referência 23 de outubro, sexta-feira que antecedeu o segundo turno eleitoral. O relatório atual incorpora dados coletados até 30 de outubro, refletindo as revisões feitas pelo mercado após o resultado das urnas.

As mudanças nas projeções ocorrem enquanto ganha repercussão uma proposta do economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real. Ele sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir a taxa básica de juros.

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A proposta estabelece uma faixa para a Selic entre 3% e aproximadamente 5,5% em condições normais, podendo ultrapassar esses limites apenas em situações excepcionais. Lara Resende defende que os juros elevados são responsáveis pelo crescimento do custo da dívida pública.

Durante uma fase de transição, a taxa seria reduzida para aproximadamente 7,5% em cerca de 12 meses. O contraste é evidente: enquanto o Focus projeta Selic de 12,5% no fim de 2027, a proposta levaria a taxa para perto de 7,5% um ano após a adoção do novo regime.