As baixas taxas de inflação e crescimento da zona do euro são um risco para a estabilidade financeira do Reino Unido, afirmou nesta terça-feira o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), em relatório de estabilidade financeira que publica duas vezes por ano.

No documento, a autoridade monetária revelou-se preocupada com a possibilidade de uma repetição do que ocorreu em 2011 e 2012, quando incertezas relacionadas à durabilidade da zona do euro causaram um aumento acentuado dos custos de financiamento para os bancos britânicos e danos na confiança dos consumidores e das empresas.

Se houver uma nova crise de confiança, a partir da qual os investidores percam a fé na capacidade do Banco Central Europeu (BCE) e de outras instituições europeias de atingirem suas metas de reequilíbrio da economia, pode haver consequências negativas para o Reino Unido.

“Novas previsões para baixo para a inflação e o crescimento podem levar os investidores a questionarem, mais uma vez, a sustentabilidade das posições de débito dos países mais vulneráveis da zona do euro”, disse o BOE.

A inflação anualizada da zona do euro ficou em 0,3% em novembro, enquanto a economia da região cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre. A maior parte dos analistas espera que as taxas de inflação e crescimento permaneçam baixas em 2015.

O banco central britânico acrescentou ainda que uma piora na economia da zona do euro pode gerar uma queda nas exportações do Reino Unido para o bloco e uma nova crise de confiança entre consumidores e empresários, que, nesse cenário, cortariam gastos. Apesar disso, o BoE acredita que esse risco tem sido reduzido por uma melhora nas posições de capital dos bancos europeus, em meio a um período de mais intervencionismo das instituições. Com informações da Dow Jones Newswires.