As seis distribuidoras que serão privatizadas pela Eletrobras, dos Estados do Amazonas, Boa Vista, Acre, Alagoas, Piauí e Rondônia, foram avaliadas em R$ 10,2 bilhões, mas possuem dívidas líquidas de R$ 20,8 bilhões, e por isso serão vendidas pelo valor simbólico de R$ 50 mil, informou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) na manhã desta quinta-feira, 9. Vencerá o leilão quem oferecer o maior deságio em relação ao adicional tarifário transitório, concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos reajustes realizados entre agosto e novembro deste ano.

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“Isso representará um benefício direto para os consumidores ao longo do primeiro ciclo tarifário de cinco anos de vigor do adicional tarifário. Caso os proponentes abram mão de todo o adicional tarifário (100%), vencerá a proposta que apresentar a maior bonificação pela outorga (a ser paga à União)”, explicou o BNDES em nota.

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O modelo de venda prevê que, além de abrir mão de parte ou da totalidade do adicional tarifário transitório, os vencedores deverão fazer um aporte financeiro de R$ 2,4 bilhões, 30% do total que terá que ser investido nas distribuidoras, de R$ 7,8 bilhões.

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O banco será o gestor da privatização, papel que exerceu na década de 1990, durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo nota divulgada pelo BNDES pela manhã, o trabalho que resultou na resolução publicada nesta quinta no Diário Oficial da União pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimento (CPPI) da Presidência da República foi liderado pelo banco e desenvolvido pelo Consórcio Mais Energia B (PwC Brasil, Strategy&, Siglasul e Loeser e Portela Advogados Associados).

“Nesse trabalho, foi desenvolvido o diagnóstico, a avaliação econômico-financeira e a proposta de modelagem de venda das seis distribuidoras. Paralelamente, a Ceres Inteligência Financeira realizou uma avaliação financeira independente, em cumprimento à Lei nº 9.491/97 do Plano Nacional de Desestatização (PND)”, explicou.

Com a publicação, o BNDES está autorizado a abrir as salas de informações (data room) que trazem toda a documentação e estudos básicos das seis distribuidoras, preparados para subsidiar os potenciais investidores. A abertura dos data rooms acontecerá nos próximos dias, disse o banco.

A modelagem de venda será submetida ainda à apreciação da Diretoria e do Conselho de Administração da Eletrobras, que deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para a deliberação final. Com a aprovação do modelo de venda, o BNDES seguirá na condução das últimas etapas do processo de desestatização (com apoio do Consórcio Mais Energia B), por meio de audiências públicas, road shows e do próprio leilão.

As audiências públicas serão realizadas nas capitais dos Estados sede das seis distribuidoras. Além disso, o processo será enviado para análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Após a aprovação, será publicado o edital com a data do leilão – com previsão de realização no primeiro quadrimestre de 2018.

No caso da distribuidora do Amazonas, será necessária, previamente ao leilão, a conclusão da desverticalização da empresa – ou seja, os ativos de geração e transmissão terão que ser separados da empresa de distribuição.

Será oferecido aos empregados e aposentados um volume de ações equivalente a 10% da participação detida pela Eletrobras. Caso haja sobra de ações não adquiridas, o grupo vencedor do leilão será obrigado a comprar as ações remanescentes.

Os empregados que participarem do aumento de capital (que é obrigatório para o vencedor do leilão) com um investimento de até R$ 100 mil, terão o direito de revender suas ações para o novo acionista, após três anos, com o valor corrigido pela taxa Selic e mais um prêmio adicional de 10%.