O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito destinadas às empresas prejudicadas pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A solicitação foi enviada à Secretaria do Tesouro Nacional nesta sexta-feira (17) e prevê a transferência dos recursos para o Fundo de Garantia à Exportação, que financia o Plano Brasil Soberano. As informações são da Gazeta do Povo.
O pedido ocorre após a procura pelo programa crescer rapidamente e alcançar R$ 18,4 bilhões em pedidos de financiamento. Segundo o BNDES, a medida não cria novos gastos, mas antecipa uma parcela de recursos que já fazia parte do programa. Os setores que mais procuraram financiamento até agora são alimentos, medicamentos, fertilizantes, minerais críticos e máquinas e equipamentos.
Criado após o anúncio das tarifas pelo governo do presidente Donald Trump no ano passado, o Plano Brasil Soberano oferece financiamentos com condições mais favoráveis para empresas manterem investimentos, produção e capital de giro. O programa prevê até R$ 15 bilhões em recursos do Tesouro, além de R$ 6 bilhões aportados pelo próprio BNDES, elevando a capacidade total de crédito para R$ 21 bilhões.
Governo pode lançar novo programa de apoio
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira (16) que lançará um novo programa de apoio aos empresários afetados pela nova rodada de tarifas americanas. Segundo o governo, as medidas atingem cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões em vendas, com base nos dados de 2024.
Os recursos utilizados nos empréstimos saem do Fundo de Garantia à Exportação, fundo que tradicionalmente garante operações de crédito voltadas às exportações brasileiras. Desde março, uma medida provisória ampliou o uso desse fundo para financiar empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio.
Nova taxação de 12,5% pode ser imposta na próxima semana
A gestão do petista pode precisar de novas políticas de ajuda ao empresariado brasileiro, já que uma nova taxação de 12,5% pode ser imposta ao país na próxima semana. As autoridades dos Estados Unidos devem concluir no dia 24 a investigação que apura supostas falhas no combate ao trabalho forçado de produtos exportados para lá. Com isso, a sobretaxa total pode disparar para 37,5%.
O relatório americano classificou como irracional a ausência de controles eficazes sobre a importação de bens produzidos com trabalho forçado, sob o argumento de que essa prática prejudica empresas e trabalhadores dos Estados Unidos ao criar condições de concorrência consideradas desiguais. O documento também afirma que o Brasil, apesar de assumir compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo, ainda não dispõe de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada desse tipo de mercadoria em seu mercado interno.
