economia

BNDES: decisão da CVM não muda voto do banco em ação contra irmãos Batista

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai manter sua estratégia para a assembleia geral extraordinária (AGE) da JBS, marcada para esta sexta-feira, 1, afirmou a diretora da área de Mercado de Capitais do banco, Eliane Lustosa. Segundo ela, a decisão do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de não se manifestar sobre o suposto impedimento de voto dos irmãos Batista na reunião de acionistas não muda a intenção de voto já tornada pública pela instituição de fomento.

“O nosso foco é que a decisão na assembleia seja no melhor interesse da empresa”, disse a jornalistas após participar do InfraInvest, no Rio.

No dia 14 de agosto, o BNDESPar, braço de participações do banco, que detém 21,3% do capital da JBS, divulgou nota com sua intenção de voto. Entre outros pontos, declarou que votará favoravelmente à promoção de ação de responsabilidade civil pela JBS contra o administrador Wesley Mendonça Batista e os ex-administradores Joesley Mendonça Batista, Florisvaldo Caetano de Oliveira e Francisco de Assis e Silva, por prejuízos causados ao seu patrimônio em razão dos atos ilícitos confessados no âmbito do acordo de colaboração premiada e do acordo de leniência celebrados junto ao Ministério Público Federal, bem como contratação de auditoria forense externa para quantificar os danos gerados e identificação de eventuais outros responsáveis. A BNDESPar vai votar contra a revisão do aumento da remuneração anual dos administradores do frigorífico.

Eliane Lustosa reforçou o papel do BNDES de induzir as boas práticas de governança corporativa em empresas investidas. “Enquanto estou em um projeto, tenho a obrigação, enquanto gestor de recursos públicos, de acompanhar as boas práticas”, disse, explicando que em seu voto o banco enumera o que considera ser essas melhores práticas no caso da JBS.

A assembleia marcada para esta sexta foi convocada a pedido da BNDESPar, na condição de acionista detentor de mais de 5% do capital social da JBS. De acordo com Eliane, alguns investidores demonstraram a disposição de apoiar a proposta do banco de fomento. Caso os acionistas aprovem a adoção de uma ação de responsabilidade, os atuais administradores eventualmente processados terão que se afastar do comando da companhia, hoje presidida por Wesley Batista.

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