O crescimento bem acima da média histórica do crédito e o aumento da exposição ao serviço da dívida são os principais pontos vulneráveis do sistema bancário no Brasil. O alerta foi feito pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). Em relatório anual divulgado este domingo, a entidade diz que o boom dos empréstimos visto em mercados como o brasileiro e o chinês geralmente indicam “a materialização de graves tensões bancárias em prazo de três anos”.

O BIS avaliou quatro critérios relacionados ao risco de uma crise bancária em 20 países e 3 regiões: crescimento do crédito, preço de imóveis, comprometimento da renda e exposição dos tomadores de crédito à alta dos juros. Nessa avaliação, o Brasil recebeu dois alertas. O primeiro é sobre a relação entre o crédito e o tamanho da economia que está bem acima da média histórica. No estudo, o BIS diz que o indicador está 13,7 pontos porcentuais acima da média.

“A diferença na relação entre crédito/Produto Interno Bruto em numerosas economias emergentes e na Suíça supera com folga o limiar que alerta para possíveis problemas. O registro histórico mostra que a diferença da relação crédito/PIB superior a 10 pontos porcentuais (em relação à média histórica) pode indicar a materialização de graves tensões bancárias no prazo de três anos”, diz o documento.

O segundo alerta para o Brasil foi sobre o serviço da dívida dos tomadores de crédito. Para a instituição, um aumento do juro de 250 pontos base geraria aumento no pagamento exigido dos clientes de 6,3 pontos porcentuais. “Em termos nominais, os tomadores de crédito da China estão atualmente em situação de especial vulnerabilidade. Contudo, uma alta dos juros levaria ao terreno crítico os coeficientes de serviço da dívida em muitas outras economias”, diz o documento do BIS. Na China, a mesma alta do juro elevaria o pagamento em 12,2 pontos aos clientes.

O BIS alerta que o descontrole sobre o serviço da dívida pode vir rapidamente, o que geraria um risco aos bancos. “A experiência mostra que os coeficientes de serviço da dívida podem permanecer em nível baixo durante longos períodos e disparar um ou dois anos antes de uma crise, habitualmente em resposta ao aumento das taxas de juros”, explica o documento. “Portanto, baixos coeficientes não garantem que o sistema financeiro esteja a salvo.”