Rio (AE) – O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinou ontem convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que garante US$ 3 bilhões em recursos para financiamentos do banco de fomento brasileiro a projetos de micro, pequenas e médias empresas. O presidente do BID, Enrique Iglesias, disse que a economia do País está sendo administrada de forma ?impecável? e a crise política não vai abalar a credibilidade do Brasil.

Na cerimônia de assinatura do convênio, o tema da crise esteve presente não apenas na resposta de Iglesias a perguntas de jornalistas. O presidente do BNDES, Guido Mantega, brincou com o tema ao saudar o dirigente do BID via videoconferência.

Mantega se permitiu uma brincadeira com o escândalo das malas de dinheiro do empresário Marcos Valério. Pela TV, de São Paulo, Mantega disse a Iglesias, que estava na sede do banco no Rio, que ?é um prazer recebê-lo no Rio de Janeiro, especialmente porque você traz uma mala cheia de dinheiro do BID. É verdade que hoje em dia é perigoso andar com mala de dinheiro, mas essa terá uma finalidade muito importante, que é financiar as pequenas e médias empresas?.

O vice-presidente do BNDES, Demian Fiocca, que assinou o convênio no lugar de Mantega, disse que a demanda de empresas de pequeno porte por recursos do banco é crescente, passando de 30% do total de desembolsos da instituição em 2003 para 32% em 2004.

O valor total do programa de apoio às pequenas empresas é de US$ 6 bilhões, sendo 50% do BID e o restante do BNDES. Segundo o banco, os recursos vão permitir que as empresas de menor porte tenham acesso a financiamentos de longo prazo para investimentos.

O prazo de utilização da nova linha será de nove anos e a liberação pelo BID ocorrerá a partir da assinatura de contratos de empréstimos entre as duas instituições, sendo que o valor de cada operação não deverá ultrapassar US$ 1 bilhão. Iglesias, que está na presidência do BID há quase 18 anos, deixará o cargo no próximo dia 30 de setembro, quando será substituído pelo colombiano Luis Moreno.

Microcrédito

O BNDES vai retomar as operações com microcrédito, praticamente paralisadas no banco há dois anos. O diretor da área de inclusão social da instituição, Mauricio Borges, disse que na próxima semana a diretoria deverá aprovar uma operação de microcrédito para a Caixa Estadual do Rio Grande do Sul.

Segundo ele, o programa foi retomado no banco há três meses e o objetivo é adotar regras de acompanhamento da destinação dos recursos, centradas sobretudo no plano de negócios para os financiamentos. Borges disse que até 2002 não havia nenhum acompanhamento do BNDES em relação à utilização dos recursos liberados via microcrédito.

A partir de 2003, na gestão de Carlos Lessa, houve uma guinada ao contrário e o programa ficou muito rigoroso, afugentando os tomadores de recursos. Entre 2003 e 2004 apenas uma operação de microcrédito foi efetivada pelo BNDES.