O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que a proposta de Orçamento da União para 2010 não contempla a arrecadação de imposto sobre os rendimentos das aplicações em poupança acima de R$ 50 mil. A proposta deve ser encaminhada esta semana pelo governo ao Congresso. “Não computamos. Não vi nenhuma estimativa sobre essa receita, mas deve ser pouco”, afirmou Bernardo.

Ele lembrou que o número de cadernetas de poupança com aplicações acima de R$ 50 mil é pequeno. O ministro acredita que não haverá problema político para a votação da proposta. “Se for justo, por que não? A poupança vai continuar com todas as garantias que tem”, afirmou. “Nós achamos que vamos ganhar a eleição (em 2010). Mas a oposição também acha. Então, vamos discutir a proposta se for melhor para o País”, disse o ministro, ao chegar à reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que se encontra hoje, extraordinariamente, em Brasília, para avaliar as medidas de combate à crise financeira global.

Paulo Bernardo argumentou que é preciso pensar o País no médio e longo prazo. Para ele, as taxas de juros continuarão caindo. “Talvez não em 2010, mas no próximo governo teremos taxa real de 2,5%”, previu.

O ministro acredita que o projeto de taxação da poupança, da forma como será enviado ao Congresso, deve resolver a distorção dos rendimentos da caderneta, em relação aos demais fundos de investimento. “Resolve com a realidade que está hoje. A tendência é de redução dos juros. Temos a inflação controlada, os fundamentos macroeconômicos são muito bons, voltaremos a ter um superávit primário maior em 2010 e a dívida está caindo. Temos que pensar o País daqui a quatro, cinco anos”, disse. Segundo ele, se precisar, novas alterações em relação ao rendimento da poupança podem ser feitas no futuro.

Ao ser indagado se o governo apoiará a proposta de criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), Bernardo disse que o governo não vai propor e não vai assumir essa conta. “O Temporão (ministro da Saúde, José Temporão) está fazendo a luta dele, e nós respeitamos”, disse.