O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje, em entrevista à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que “o pior já passou” em termos de contas públicas. Segundo ele, a partir de agora, o resultado das contas deve melhorar e, com a retomada da atividade econômica, as receitas devem aumentar. Ele lembrou que o governo precisou reduzir impostos “porque a economia precisava de estímulo para não fraquejar” em função da crise econômica. Mas disse que essas medidas são transitórias. Para o ministro, apenas as medidas de desoneração para material de construção devem ter uma duração mais longa, em função do prazo necessário para a construção de um empreendimento imobiliário. Atualmente a desoneração atinge também produtos da linha branca e automóveis.

Com relação às críticas da oposição, principalmente do DEM e do PSDB, sobre o aumento dos gastos públicos, o ministro disse que são “naturais”. “O DEM e o PSDB, que são os principais partidos de oposição, têm de ter algum discurso. Não podem ficar elogiando o governo. Alguma coisa têm de dizer para a população”, disse o ministro. Segundo ele, a oposição dizia que o Bolsa Família era assistencialismo, mas o programa teve “um peso econômico extraordinário” durante o auge da crise. Segundo Bernardo, de setembro de 2008 até agora, aumentaram as vendas para as famílias de baixa renda. O ministro lembrou que o Bolsa Família está incluído dentro dos gastos de custeio. “O DEM e o PSDB precisam analisar o conjunto da obra”, afirmou.

Paulo Bernardo disse que o governo tem a visão de que precisa estar com as contas em ordem e reduzir a dívida pública. Ele admitiu que a relação dívida/PIB subirá este ano em relação aos 38% registrados em 2008, mas afirmou que não há riscos. “A economia está muito bem neste momento, e as contas estão controladas”, disse.

O ministro afirmou que a partir de 2010 o País voltará a ter condições para crescer a níveis de 4,5% e lembrou que alguns analistas estrangeiros já fazem previsões de crescimento de 5% para o Brasil no próximo ano. Segundo o ministro, a economia já está crescendo a um ritmo de 2% ou mais, e deve chegar ao final deste ano com um crescimento de 3,5% a 4%, anualizado. “Acho que vamos ter uma virada importante, em 2010, e vamos voltar a crescer na casa dos 5%”, disse.