O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que o ideal seria o governo Lula encerrar o mandato com uma taxa real de juros (descontada a inflação) de 4% ao ano. “Assim deixaríamos para o próximo governo uma situação de inflação controlada, uma situação fiscal controlada, a economia crescendo, deixando um quadro econômico muito bom para que o próximo governo possa continuar reduzindo as taxas de juros no futuro”, disse Bernardo, ao ser questionado sobre as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que uma taxa real de juros de 5% ainda seria alta. “Cinco por cento de taxa real é um avanço em relação ao que tínhamos. Mas na atual conjuntura (uma taxa de), 5% ainda pode ser considerada alta”.

Paulo Bernardo falou com a imprensa ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil, onde se reuniu por cerca de uma hora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Mantega. Segundo Bernardo, Lula ligou para ele antes das 8 horas, querendo informações sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Lula chamou então os dois ministros para uma reunião para que detalhassem a situação de diversos setores de produção, como construção civil, indústria e agronegócio.

Segundo Bernardo, Lula quis saber, inclusive, a razão pela qual o agronegócio teve desempenho menor. Questionado se o presidente estava tranquilo quando lhe telefonou, Bernardo brincou respondendo que Lula estava ofegante, porque havia acabado de fazer exercícios na esteira. A economia brasileira encolheu 0,8% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao quarto trimestre do ano passado. É o segundo trimestre consecutivo de redução do PIB, o que caracteriza um cenário de recessão técnica do País. Nos últimos três meses de 2008, o PIB brasileiro caiu 3,6%.