O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, admitiu nesta segunda-feira que serão necessários alguns ajustes no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) para universalizar o serviço no País. “Temos que fazer o PNBL funcionar e temos que mudar uma série de coisas. Tem um desafio a ser resolvido que é o da universalização. Em algum momento, o governo terá de responder isso”, afirmou.

O ministrou comparou o PNBL brasileiro ao coreano e observou que, mesmo na Coreia do Sul, onde a banda larga foi universalizada por empresas privadas, as diretrizes foram traçadas pelo governo. “Teremos que fazer o plano, mas isso não resolverá o problema de universalizar o acesso. Antes de 2014 deveremos traçar metas para mostrar onde vamos chegar”, afirmou.

Bernardo lembrou que a pretensão do governo brasileiro é dobrar o número de pessoas com acesso à internet até 2014 e que, nesse período, terá de ser desenvolvido um plano para universalizar o serviço. “Eles (os coreanos) concordam que o Estado tem que dar políticas, tem que dar a direção, definir como é que isso será feito. Lá as empresas atuam com a política pública do governo”.

O ministro rebateu as críticas de que o PNBL não saiu do papel, argumentando que o que provocou o atraso foram alguns “percalços”. O ministro destacou que os coreanos ressaltaram o papel da Telebrás na difusão da banda larga. “A Telebrás terá um papel determinante. Todos concordam que o papel do governo é fundamental; se governo não se mexer, não vai resolver”, disse.

Bernardo relatou que os coreanos – que massificaram a banda larga no país por meio de fibras óticas – consideram a banda larga móvel a melhor maneira de proporcionar o acesso ao serviço no mercado brasileiro pelo menor preço possível, por questões geográficas e de densidade.

Segundo o ministro, foi assinado um protocolo de cooperação entre os governos brasileiro e coreano na área de comunicações e telecomunicações. “A Coreia está muito a frente de nós: tem telefones disponíveis para todos os lugares e telefonia móvel bate perto de 98% de acesso. A qualidade de fato é muito boa”, observou Bernardo. O ministro relatou que o plano de banda larga da Coreia teve início em 1996 e implantou diversas ações, entre elas a de atingir o índice de um computador em cada residência.

Questionado sobre a proposta da TIM para fazer uma parceria com a Telebrás para o PNBL, Bernardo disse que a ideia da operadora é “coincidente” com a que ele ouviu da Coreia. “Estamos abertos para conversar com a TIM ou qualquer outra empresa que queira fazer parceria nisso”, ressaltou. “Está cada vez mais forte uma percepção de que se somar potencial de crescimento do mercado brasileiro com condições mais favoráveis de preço e qualidade, vai “bombar” a questão da banda larga (no Brasil)”.

Segundo o ministro, a TIM disse que pode oferecer acesso à banda larga por R$ 15 mensais, mas Bernardo ponderou que os pacotes com esse valor ofertados pela empresa têm limite de download.

Procurada, a Telebrás informou que houve duas reuniões das equipes técnicas da TIM e da Telebrás – uma em abril e outra este mês – para tratar de compartilhamento de rede e de uma proposta de construção de uma rede em conjunto pelas duas empresas. A estatal não deu mais detalhes sob o argumento de “confidencialidade do acordo”. A Telebrás informou também que já foi assinado o contrato do uso de redes da Petrobrás.