O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse nesta sexta-feira, 23, que o que a instituição prevê um déficit em conta corrente de US$ 5 bilhões para agosto e uma entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) de US$ 3,5 bilhões. Até o dia 21, o IED no mês já soma US$ 2,2 bilhões. Se a estimativa do BC para o déficit de agosto se confirmar, o resultado negativo acumulado no ano passará dos atuais US$ 52,5 bilhões (até julho) para US$ 57,5 bilhões (até agosto). E superaria o déficit acumulado em todo o ano de 2012, que foi de US$ 54,230 bilhões.

Maciel disse também que é provável, devido ao câmbio, que até o fim do ano haja recuo no déficit em 12 meses, que está em US$ 77,7 bilhões até julho, para algo mais próximo dos US$ 75 bilhões previstos pela instituição para 2013. Em relação ao IED, afirmou que, sazonalmente, o resultado do segundo semestre é maior, o que deve se repetir em 2013.

IED

O chefe do Departamento Econômico do BC enfatizou ainda que o total esperado de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) para 2013 seguirá positivo e que o resultado de julho, de US$ 5,212 bilhões, veio em linha com as estimativas do Banco. “Tivemos fluxo muito próximo ao que estávamos prevendo e em linha com o que estava ocorrendo no início do ano também”, disse

Maciel informou que a expectativa é de continuidade do afluxo de IED, que é a melhor forma de financiar déficit em conta corrente. “É verdade que em anos anteriores foi integral, mas há outras fontes complementares, que também continuam fluindo positivamente”, considerou, citando como exemplos taxa de rolagem, empréstimos, ingresso de recurso no mercado de capitais e títulos.

Tulio Maciel diz que o movimento de alta do câmbio recente não foi acompanhado por um fluxo de saída de recursos do País, como mostram os números do fluxo cambial e outros dados das contas externas. Afirmou que essa constatação é confirmada pelos dados parciais para agosto, que mostram continuidade de ingresso de recursos no Brasil.

Ele avaliou também que os fluxos de financiamento ao déficit externo são favoráveis. “Temos IED financiando porcentual elevado e outras fontes seguem fluindo positivamente, como a taxa de rolagem acima de 100% no ano e o ingresso no mercado de capitais.” Maciel diz que as remessas de lucros e dividendos, que foram destaque no primeiro semestre, tornam-se mais caras e tendem a desacelerar, pois é preciso mais reais para remeter o mesmo volume de dólares.

Viagens

A persistir a alta do dólar, é “natural”, segundo Tulio Maciel, que haja alguma reação na conta de transações externas. “E viagens internacionais é uma que tende a reagir, a moderar rapidamente, com o crescimento menor”, citou, lembrando que essa rubrica tem sido destaque desde o ano passado.

Mas não é somente sobre esse item que a alta do dólar, se continuar, terá reflexo, de acordo com o técnico. “Haverá impacto também na importação de bens de consumo e as remessas também tendem a diminuir com câmbio em alta”, considerou. “Em quatro ou cinco meses, a persistir esse câmbio, é possível que observemos reações em algumas contas em transações”, acrescentou.

Maciel fez questão de enfatizar que o déficit em conta corrente pode ser avaliado como ingresso de poupança externa, o que se traduz em investimentos. “Tem esse aspecto positivo”, pontuou. Ele voltou a dizer que há conforto, por parte do BC, em termos das condições de financiamentos do déficit externo em 2013.