Ainda que as decisões de mudança nas regras da poupança e dos fundos de investimento não tenham sido colocadas em prática, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), não citou explicitamente qualquer preocupação com a estrutura dessas operações, como fez nas atas anteriores. Em abril, o texto destacava que “a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional”.

Na ata da reunião de junho, divulgada hoje, não é feita qualquer menção direta às regras do sistema financeiro. A única menção que, eventualmente, pode ter relação com o tema é feita quando os diretores afirmam que “a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo”.

A poupança entrou na discussão da política monetária pela rentabilidade pré-estabelecida das cadernetas, que têm de pagar no mínimo 0,50% ao mês acrescida da Taxa Referencial (TR). Diante da possibilidade de migração maciça de recursos dos fundos de investimento para a poupança, a equipe econômica anunciou em maio que pode tributar grandes aplicações nas cadernetas para tentar impedir a saída em massa dos títulos públicos adquiridos pelos fundos, o que poderia prejudicar a administração da dívida pública. A medida ainda terá de ser votada no Congresso Nacional.

Preços

A ata do Copom reduziu de 5% para 4,8% a projeção de reajuste do conjunto de preços administrados em 2009. Para o ano que vem, a redução passou de 4,8% para 4,5%. O documento do BC manteve o cenário de reajuste zero para a gasolina e gás de bujão, bem como de alta de 5% para a telefonia fixa em 2009. O Copom espera alta de 4,7% nas tarifas de eletricidade este ano, ante 6,3% na projeção da ata de abril.