O ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) Reserve poderá reduzir a taxa básica de juros da economia americana em setembro, na reunião marcada para o dia 18. Porém, segundo ele, dificilmente o BC atuará antes desta data, conforme acreditam alguns analistas do mercado.

Ele comparou o momento de turbulência de hoje com a crise de 1998, desencadeada pela quebra do fundo Long Term Capital Management (LTCM). ?Naquela ocasião, o epicentro também foi um fundo de hedge com problemas e o Fed cortou os juros três vezes seguidas, uma delas, inclusive, no intervalo de duas reuniões do Fed?, disse, ontem à noite, momentos antes da abertura do 3º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, que começou ontem e se encerra no sábado, em Campos do Jordão, São Paulo. O evento é organizado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Em 1998, segundo o diretor da Rio Bravo, era mais claro que havia um problema no sistema bancário do que atualmente. ?Hoje talvez não seja tão necessário (o corte de juros), mas pode ser (que o Fed o promova). Antes (do dia 18 de setembro), acredito que não?, considerou.

Copom

Gustavo Franco acredita que a turbulência nos mercados internacionais não interromperá a série de reduções de cortes da Selic, iniciada em setembro de 2005. Porém, segundo ele, deve diminuir a intensidade da redução de meio ponto porcentual escolhida pelos diretores do Banco Central nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

?Acredito que o comitê continue a cortar os juros, mas a passagem para 0,25 ponto porcentual em vez de 0,50 pp agora parece mais apropriada e é o que a maioria do mercado financeiro pensa que vai ocorrer?, afirmou

Na avaliação de Franco, a alta do dólar, que chegou a bater R$ 2 12 na semana passada, ainda não é suficiente para desencadear um processo de alta da inflação. ?A alta do dólar não é suficiente para mexer com as expectativas de inflação. Foi muito pouquinho e já voltou, já mostra sinais de fraqueza?, comentou.

O ex-presidente do Banco Central não apenas descartou a possibilidade de os bancos virem a intensificar a turbulência financeira internacional em outubro, quando ocorrerá a divulgação dos balanços das companhias abertas, como acredita que estas instituições possam vir a lucrar com a atual crise.

Ele lembrou que, ao contrário dos hedge funds, os bancos não precisam marcar a mercado as cotas que possuem de fundos de investimento. ?Os bancos só precisam provisionar créditos que passam à categoria de inadimplente, mas o aumento da inadimplência foi pequeno, passando de 12% para 14%", considerou acrescentando que essa pequena elevação tem pouco efeito no contexto geral dos resultados do setor.