O Banco do Brasil pretende elevar em 30% a disponibilidade de recursos destinados ao agronegócio na safra 2009/10. A expectativa é do vice-presidente de agronegócios do banco, Luiz Carlos Guedes Pinto, ao lembrar que na safra 2008/09, até abril deste ano, já haviam sido aplicados R$ 24,9 bilhões. Com isso, o banco poderia aplicar mais de R$ 32 bilhões na safra que começa a ser planejada. “Já ampliamos os recursos aos agricultores em quase 30% na safra 2008/09 e pretendemos ampliar em mais 30% os recursos para a próxima safra, mesmo com todos os problemas de restrição de crédito”, disse Guedes Pinto.

De acordo com Guedes Pinto, o crescimento da participação do banco no crédito ao agronegócio não acontecerá pela saída de outros agentes ou retração na concessão de recursos de tradings (comercializadores), mas sim no uso das linhas já disponíveis. “A disponibilidade de crédito está muito aquém da necessidade do setor. Vamos trabalhar no limite das nossas possibilidades, usando os recursos dos depósitos à vista, da poupança rural e dos repasses do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e dos fundos constitucionais”, disse o ex-ministro.

Apesar do crescimento previsto para o banco, Guedes Pinto voltou a afirmar que o atual modelo de financiamento ao setor produtivo está esgotado, mas que a criação de um novo sistema depende da maior articulação das lideranças do setor produtivo e empenho dos órgãos e entidades do setor político. Ele lembrou que o modelo atual cria uma série de limitações ao banco e aos produtores, já que toda vez que a classificação de risco de um produtor muda, as necessidades de provisionamento também se alteram.

O ex-ministro lembra que a carteira de crédito do Banco do Brasil teve um crescimento muito grande de recursos prorrogados desde 2003, quando teve início uma das últimas crises do agronegócio. Naquele ano, apenas 3% dos recursos da carteira do banco foram prorrogados. Até março deste ano, a carteira de crédito rural do Banco do Brasil tinha 22,6% dos recursos prorrogados. Dessa forma, a provisão que o banco precisou fazer cresceu 932%, passando de R$ 493 milhões em 2003 para R$ 5,08 bilhões até março deste ano. Nesse mesmo período a carteira do banco cresceu 137%, subindo de R$ 26,8 bilhões para R$ 63,4 bilhões, deixando claro que o risco do agronegócio para o banco aumentou mais do que a própria carteira.