A pressão do governo surtiu efeito e os bancos públicos despejaram crédito na economia brasileira em 2012. No Banco do Brasil, que divulgou na quinta-feira (21) o balanço anual, a expansão ficou perto de 25%. Terça-feira (19), a Caixa Econômica Federal informou um avanço ainda mais expressivo: 45%. No sistema financeiro em geral, a alta foi de 16%, segundo o Banco Central (BC).

Quando a comparação é feita com as instituições privadas, a diferença é maior. No Itaú, líder do segmento, os empréstimos subiram apenas 6%. No Bradesco, 8,3%, e no Santander, 7,6%.

Um dos resultados mais evidentes de estratégias tão distintas é o aumento da participação de mercado do BB e da Caixa. O maior banco do País abocanhava, ao final de 2012, 20,4% do mercado de crédito, ante 19,2% um ano antes. Na Caixa, a fatia passou de 12,3% para 14,99%.

Em termos de lucro, os dois públicos tiveram alta, apesar da queda dos juros cobrados dos clientes. No BB, a expansão foi de 0,7%, para R$ 12,2 bilhões. Na Caixa, de 17,1%, para R$ 6,1 bilhões.

Para alguns, números como esses mostram que as instituições públicas se adaptaram melhor a um ambiente macroeconômico marcado pela redução da taxa básica de juros (Selic) para os níveis mais baixos da história.

Para outros, o BB e – principalmente – a Caixa foram ousados demais e podem pagar um preço alto no futuro, materializado em um salto da inadimplência e consequente sangria nos balanços.

“A gente responde às críticas com resultados”, disse o presidente do BB, Aldemir Bendine. “Também tivemos questionamentos em 2009 (quando, em meio à grave crise global, o banco foi mais agressivo que os privados na concessão de crédito). Estamos falando de quatro anos. Se fosse uma política errada, já haveria reflexo nos resultados.”

Especialista em análise de bancos, o professor da USP Alberto Borges Mathias concorda. “Os bancos públicos estão se adaptando melhor à nova realidade. “Seus números mostram que, com a expansão dos volumes emprestados, a inadimplência cai.”

O presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, não se convence mesmo diante dos números dos bancos públicos. “Me soa estranho o índice de inadimplência do BB (na faixa de 2%) ser tão inferior ao do Itaú (na casa dos 6%)”, disse. “O BB renegocia mais o crédito do que os bancos privados, o que implica inadimplência menor.”

Segundo ele, ao adotar a estratégia, o BB contabilizaria menos créditos como perdas e isso se refletiria numa taxa de calote mais baixa.

Bendine rebate o analista e diz que o BB tem inadimplência mais baixa que a média dos bancões de varejo por causa do ‘mix’ da carteira, concentrado em produtos nos quais o calote é menor, como empréstimo consignado. Para ele, analistas que não reconhecem a estratégia “acertada” do BB nos últimos anos devem “fazer a lição de casa”.

Nos últimos 12 meses, as ações do BB na Bovespa acumulam desvalorização de 3,3%. No mesmo período, os papéis do Itaú perdem 4% e os do Santander, 19,3%. O Bradesco vai na contramão e acumula alta de 17,8%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.