A parceria estratégica entre União Européia e Brasil "pode contribuir para a rápida conclusão das negociações em curso com o Mercosul", disse o presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, em apresentação na Fundação Getúlio Vargas (FGV), referindo-se ao acordo de livre comércio entre os dois blocos que vem sendo negociado desde o governo Fernando Henrique Cardoso. "O fato de estreitarmos os laços que nos unem ao Brasil que é o país mais importante do bloco, contribuirá para nos aproximarmos ainda mais do Mercosul como um todo", afirmou.

Outro fator para acelerar as negociações entre os dois blocos é que espera-se para este ano ainda uma definição da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), se será concluída ou adiada por anos. Os temas principais do acordo entre Mercosul e UE, como agricultura e indústria, dependem do que for decidido (ou adiado por muito tempo) na OMC. "No contexto da Rodada Doha, o momento da verdade aproxima-se como referi há pouco, e em breve teremos em ambos os lados uma idéia mais clara das concessões que podemos fazer nas negociações birregionais.

O presidente da Comissão Européia avalia que muito trabalho técnico já foi realizado na negociação entre UE e Mercosul. Assim, declarou, "as negociações podem ser reiniciadas em bases ambiciosas tão logo a situação o permita".

Interesse

De acordo com Barroso, "motivos não faltam para que a União Européia tenha interesse em avançar com as negociações". Ele citou que o Mercosul é hoje o quarto maior bloco econômico do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 1 trilhão, e um acordo com a UE "criará o maior espaço de livre comércio do mundo".

Barroso afirmou também que as negociações com o Mercosul são consideradas prioritárias para UE, desde a adoção da nova política de comércio do bloco, a partir de outubro do ano passado. O presidente da Comissão Européia declarou ter "laços familiares e sociais" com o Rio de Janeiro, onde está passando férias.