O temor de desabastecimento com a chegada do inverno no hemisfério norte fez os preços do barril de petróleo atingirem novos recordes em Nova York e em Londres. O barril do US Light bateu US$ 55,45, seu preço mais alto em 21 anos, desde que o contrato é negociado na Bolsa Mercantil de Nova York. Em Londres, o petróleo tipo Brent, referência na Europa, chegou a ser negociado em preço recorde, a US$ 51,65.

A alta dos preços do petróleo bruto terá um impacto claro na economia mundial no próximo ano, mesmo que seja ainda muito cedo para revisar em baixa as previsões de crescimento 2005, anunciou ontem o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato.

“Este é o ponto de vista sobre os efeitos da alta nos preços do petróleo… prevemos um claro impacto na maioria dos setores no próximo ano”, afirmou Rato para a imprensa, após sair da sede da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O diretor-geral do FMI assegurou, contudo, que ?outras forças positivas? compensarão em parte o impacto do aumento dos preços do petróleo bruto.

“Ainda é provavelmente muito cedo para revisar as projeções de crescimento, porque há muita volatilidade nos preços do petróleo”, advertiu. Rato, que realizou ontem um giro pelo Oriente Médio e o Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Líbano, Egito), pediu aos produtores de petróleo que respondessem à crise investindo para desenvolver a produção e atenuar a alta do produto.

As reservas do produto destilado, que inclui combustível para calefação, continuam baixando nos Estados Unidos e os estoques de gasolina também caíram, de acordo com relatórios do Departamento de Energia e do Instituto Americano do Petróleo publicados na quarta-feira. “Seguimos com a mesma situação. Na verdade, um ambiente de especulações meio neurótica. Todo mundo está preocupado com o inverno”, afirmou Frédéric Lasserre, analista da Société Générale.