O governo pode usar redes de fibra ótica de estatais que controla, como Eletrobrás e Petrobras, para o plano de banda larga, e não necessariamente a da Eletronet, empresa que está falida e envolvida em controvérsias judiciais, de acordo com o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins. “Não precisam ser da Eletronet. As fibras de qualquer empresa controlada pelo governo pode ser usada”, disse o secretário.

Ele disse não saber se a rede da Eletronet será ou não usada no plano de banda larga, apesar de ressaltar que o governo recebeu a posse das fibras óticas da Eletronet na Justiça. A decisão é contestada na Justiça por fabricantes de equipamentos que são credores da empresa, como Furukawa e Alcatel. “Não sei se o governo vai usar algo que ainda está assim, com alguém esperneando”, disse.

Mesmo declarando que não fala sobre a possibilidade de reativação da Telebrás, Martins deixou claro que a decisão sobre a questão está próxima. “Não falo sobre a Telebrás nem sobre tortura. Não será agora, faltando alguns dias para decidir, que vou dizer qualquer coisa”, afirmou. Haverá uma reunião técnica sobre o Plano Nacional de Banda Larga na quinta-feira, em Brasília, com a participação do secretário. Na quarta-feira da próxima semana, será realizada uma reunião sobre a banda larga nas escolas.

Em discurso no Movilforum Latinoamerica 2010, promovido por Telefonica e Vivo, Martins disse que o setor de telecomunicações tem investido mais de US$ 6 bilhões por ano. Ele lembrou que a implantação da terceira geração da telefonia móvel, há dois anos, e sua extensão para todos os municípios brasileiros contribuiu para isso. “Hoje mais de 100 milhões de pessoas são alcançadas pelo 3G”, disse.