Instituições financeiras de grande porte alteraram drasticamente suas expectativas para a economia do Brasil no próximo ano. O Itaú BBA passou a estimar inflação de 6,1% e expansão do PIB de apenas 0,5% em 2027, configurando um quadro de estagflação similar ao observado antes da recessão de 2015 e 2016. As informações são da Gazeta do Povo.

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A projeção de inflação do banco ficou 1,6 ponto percentual acima do teto da meta oficial, fixado em 4,5%. O crescimento esperado representa menos de um quarto da expansão de 2,3% registrada em 2025. A taxa Selic deve permanecer em 13,75% durante todo o ano, segundo a nova estimativa.

Deterioração das expectativas após eleição

A piora nas projeções se intensificou após o pleito de outubro. Levantamento da BGC Liquidez divulgado em 31 de outubro mostrou expectativa mediana de inflação para 2027 em 5,3%, com 11% dos participantes projetando alta superior a 6%. A Anbima elevou sua previsão do IPCA de 4,3% para 4,9% e reduziu a de crescimento do PIB de 1,34% para 1%.

O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes de juros na quarta-feira (4), mantendo a Selic em 13,75% ao ano. O Copom elevou suas projeções de inflação para 2026 de 5,2% para 5,6% e para 2027 de 3,9% para 4,7%, ambas acima do teto da meta. O colegiado destacou a combinação de expectativas inflacionárias mais elevadas com desaceleração mais acentuada da atividade econômica.

Endividamento privado amplia vulnerabilidade

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Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, que projeta crescimento de 0,7% do PIB para 2027, aponta diferenças em relação à crise de 2015. A situação fiscal atual é mais delicada, com dívida bruta em 82,9% do PIB em setembro de 2026, crescimento de 11,2 pontos percentuais no atual governo. O endividamento de famílias e empresas adiciona vulnerabilidade ao cenário.

João Mário de França, economista do FGV-Ibre, afirma que o modelo de crescimento baseado em impulsos fiscais mostra sinais de esgotamento. O aumento da renda obtido nos últimos anos tem se convertido cada vez menos em consumo, porque as famílias precisam destinar recursos ao pagamento de dívidas. Para ele, apenas um ajuste crível pode barrar a estagflação.

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O Itaú BBA estima que seria necessário ajuste de 4 pontos percentuais do PIB, concentrado no controle de despesas. Entre o último pregão antes do segundo turno e 4 de novembro, o Ibovespa acumulou queda de 18,5% e o dólar subiu 8,7%, de R$ 5,04 para R$ 5,48. Na quinta-feira (5), Lula reuniu-se com Dario Durigan, Fernando Haddad, Guido Mantega, Gabriel Galípolo, Bruno Moretti e Aloizio Mercadante. Durigan afirmou que não foram discutidas medidas fiscais.