Bancos facilitam crédito e lojas se protegem dos calotes

Os bancos querem conquistar novos clientes, mesmo aqueles mais arriscados, que já sentem no bolso o aperto das despesas de início de ano. Santander Banespa, Banco do Brasil e Bradesco já ofertam linhas de crédito especiais para as despesas extraordinárias de início de ano. O pacote inclui gastos com material e matrículas escolares, despesas com o Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU) e gastos com o Imposto sobre a Propriedades de Veículos Automotores (IPVA), multas e licenciamento de veículos.

As instituições financeiras não revelam dados sobre a dotação dessas linhas de crédito e, muito menos, se a inadimplência piorou em relação a outros anos. Na prática, os bancos se limitam a informar as condições das linhas de crédito que, segundo as instituições, são vantajosas para o consumidor.

A vantagem, segundo os bancos, é que essas linhas de crédito permitem quitar os impostos à vista, usufruindo do benefício do desconto.

Além disso, os juros são menores do que num financiamento normal.

Mas enquanto os bancos oferecem mais crédito, as lojas fazem o movimento inverso: tentam renegociar as dívidas para escapar da inadimplência. As Lojas Cem, por exemplo, ampliaram em 10% o pessoal que trabalha na cobrança para tentar reaver os financiamentos em atraso. A empresa também reduziu de 30 dias para 15 dias os intervalos das ligações do departamento de telemarketing para cobrar os devedores.

?Estamos preocupados?, diz o supervisor geral da rede, Valdemir Colleone. Ele argumenta que o crédito fácil e farto e o excesso de instrumentos jurídicos que dão maior proteção ao devedor são fatores que, na sua opinião, contribuem para o aumento do calote.

Colleone diz que o maior problema é que a inadimplência estabilizou-se num nível elevado e está difícil de ceder. A sua rede, por exemplo, registra hoje um índice de perda da ordem de 5%. Em meados do ano passado, o indicador atingiu

7% e só recuou depois que a empresa decidiu apertar os critérios de concessão de crédito. ?Hoje está razoável, mas não vendemos mais sem entrada.?

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