O Banco Mundial e quatro bancos regionais de desenvolvimento planejam fazer uma lista conjunta com os nomes de empresas envolvidas em suborno ou fraude. O objetivo é combater práticas de corrupção em países em desenvolvimento.

O acordo, que será assinado em Luxemburgo na sexta-feira pelos presidentes do Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, Banco de Desenvolvimento Asiático e Banco de Desenvolvimento Africano, pode afetar as práticas de negócio de milhares de empresas que trabalham em países em desenvolvimento. A maioria dos principais projetos em países pobres inclui financiamento de um dos bancos participantes.

Atualmente, cada banco tem seus próprios procedimentos de investigação e combate à corrupção. Empresas envolvidas nesse tipo de prática geralmente são “excluídas”, o que significa que elas não podem participar de novos projetos por um determinado período, algumas vezes permanentemente. Mas uma empresa excluída por uma instituição é livre para disputar projetos em outros bancos de desenvolvimento. A nova política proíbe que uma empresa excluída trabalhe com todos os bancos de desenvolvimento.

“Isso vai unir as forças de todos os bancos”, disse Leonard McCarthy, responsável pelo combate à corrupção no Banco Mundial, que lidera a iniciativa. “Todos saberemos sobre nossas investigações e nossas proibições irão repercutir em todo lugar. Isso vai aumentar a pressão” sobre empresas para que sigam práticas apropriadas. A nova política, que deve entrar em vigor em 1º de maio, vai afetar apenas novos casos, e não os antigos.

Hoje, 162 empresas e pessoas físicas de 25 países estão impedidas de participar de projetos do Banco Mundial. O Banco Interamericano de Desenvolvimento tem em sua lista cerca de 100 nomes e o Banco de Desenvolvimento da Ásia possui uma relação de 556 empresas e pessoas físicas. O Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, que geralmente investe em projetos do setor privado, disse que raramente barra empresas. O Banco de Desenvolvimento Africano está colocando em prática procedimentos de exclusão.

Na maioria das vezes, as empresas excluídas não são multinacionais importantes. Mas, de vez em quando, algumas das maiores empresas do mundo são afetadas. No ano passado, o Banco Mundial excluiu a subsidiária russa da alemã Siemens por quatro anos porque antes de 2007 a companhia supostamente pagou subornos para conquistar um contrato de um projeto de construção de uma ponte e uma via expressa em Moscou. As informações são da Dow Jones.