O Banco do Brasil reteve parte do pagamento das cooperativas de leite, depositado ontem pela manhã pela Parmalat. A empresa havia se comprometido, junto ao Ministério da Agricultura, a quitar suas dívidas com os fornecedores ontem. Mas produtores da região de Itaperuna (RJ) informaram que o dinheiro não foi depositado em suas contas correntes.

Somente no Rio de Janeiro, o BB reteve R$ 6 milhões dos R$ 9 milhões depositados pela Parmalat para quitação das dívidas. Somente a região de Itaperuna receberia R$ 6,7 milhões, sendo R$ 1,7 milhão referentes aos atrasados de dezembro e o restante do pagamento normal de janeiro.

O BB alegou que o dinheiro seria usado para abater parte dos débitos da empresa junto à instituição. A medida quebrou um acordo selado entre a diretoria da Parmalat e a instituição.

Discurso e prática

“É preocupante que um banco público, ligado a um governo com preocupação de gerar empregos, adote uma atitude destas”, afirmou uma fonte da Parmalat.

A companhia acionou o Ministério da Agricultura, a fim de que intermediasse uma solução. Além do Rio de Janeiro, foram registrados problemas também em Goiás, onde os produtores suspenderam o fornecimento de leite. Dos R$ 492 mil devidos aos goianos, R$ 125 mil não teriam sido quitados.

“Realmente, o ministério está preocupado com a situação e deseja uma solução imediata”, afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério, Ivan Wedekin. Ele confirmou que o ministério está intermediando as negociações entre a Parmalat e o BB.

A empresa tem dívidas de R$ 4,7 milhões junto ao BB. Com o dinheiro retido, os débitos baixaram para cerca de R$ 1,7 milhão.