O Banco Central (BC) anunciou nesta terça-feira (6) que passará a divulgar mensalmente indicadores sobre os reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho. O Relatório de Política Monetária agora incorporará informações do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego. A medida visa ajudar o BC a avaliar as condições do mercado de trabalho e a relação entre inflação e negociações salariais. As informações são da Gazeta do Povo.
Os novos dados incluem reajustes nominais e reais, estes últimos descontados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Também será calculada a proporção de convenções que concederam reajustes abaixo, iguais ou superiores à inflação, além do número total de convenções consideradas.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec), Ricardo Sabbadini, a novidade ajudará o BC a entender melhor o mercado de trabalho. A autoridade monetária identificou uma associação entre as condições do mercado de trabalho e os resultados das negociações. Como exemplos, citou os períodos de 2012 a 2014 e a partir de 2023, quando taxas mais baixas de desemprego coincidiram com maior frequência de reajustes salariais acima da inflação.
A criação da série ocorre em um momento em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma taxa de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, próxima das mínimas da série histórica. Para o Banco Central, esse cenário aumenta a importância de acompanhar as negociações salariais.
Em períodos de desemprego baixo, trabalhadores tendem a ter maior poder de barganha, e reajustes acima da inflação podem elevar os custos das empresas e, em determinadas condições, alimentar pressões sobre os preços. O BC já vinha acompanhando essas negociações no Relatório de Política Monetária e, desde setembro, formalizou uma metodologia mensal baseada nas convenções coletivas registradas no sistema Mediador.
