O HSBC acertou a venda de sua unidade brasileira para o Banco Bradesco por US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 17,8 bilhões), se retirando da segunda maior economia emergente do mundo após anos de performance decepcionante.

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O valor ficou acima do esperado pelo mercado, que calculava o valor da operação brasileira do HSBC em algo entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. O maior interesse do Bradesco está na clientela de alta renda do HSBC, sexta maior instituição financeira do país em ativos. O banco tem cerca de 10 milhões de clientes, uma rede de 853 agências e receitas da ordem de R$ 10,6 bilhões.

“Com a aquisição, o Bradesco assumirá todas as operações do HSBC no Brasil, incluindo varejo, seguros e administração de ativos, bem como de todas as agências e clientes”, informa o banco, em fato relevante publicado nesta segunda-feira.

O HSBC planeja manter uma pequena presença no Brasil para atender clientes corporativos.

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Segundo o Bradesco, a aquisição vai proporcionar benefícios para os clientes das duas instituições, como o aumento da rede de atendimento em todo o país e o acesso a produtos oferecidos pelos dois bancos, principalmente nos mercados de seguro, cartão de crédito e administração de fundos (asset management).

“A aquisição possibilitará ganho de escala e otimização de plataformas, com aumento da cobertura nacional, consolidando a liderança em número de agências em vários Estados, além de reforçar sua presença no segmento de alta renda”, diz o banco em comunicado. Os clientes do HSBC, de acordo com o Bradesco, “continuarão a ser atendidos da forma habitual e, após a conclusão da operação, passarão a contar com todos os produtos, os serviços e as comodidades oferecidas”.

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Negócio

Último grande ativo bancário à venda no país, o HSBC vinha de resultados ruins no país. O banco não conseguiu acompanhar o ganho de eficiência das grandes instituições e vinha acumulando prejuízos – no ano passado, as perdas foram R$ 549 milhões. Em maio, a liderança global do banco britânico anunciou que venderia as filiais do Brasil e da Turquia, em uma resposta a acionistas que cobravam resultados melhores. Ao fim da reestruturação, o HSBC deve ficar com 50 mil funcionários a menos.

A concretização do negócio será em dinheiro e depende ainda da aprovação dos órgãos reguladores. O valor elevado da negociação é justificado pelo Bradesco pelo ganho de sinergias. Segundo a instituição, há pouca sobreposição de agências e a aquisição pode melhorar sua penetração em negócios rentáveis, como seguros e private banking.

Com a aquisição, o Bradesco consolida a segunda maior rede de agências bancárias do país, com 5.510 pontos de atendimento, atrás apenas do Banco do Brasil, e assume a segunda colocação em número de correntistas. A compra também deve permitir ao Bradesco ultrapassar a Caixa em volume de ativos, chegando à terceira colocação, atrás do BB e do Itaú.

Empregos

A venda preocupa os bancários, que temem aumento das demissões em um período em que os cortes se intensificam. Somente em Curitiba, são pouco mais de 7 mil funcionários espalhados por agências e centros administrativos. O Bradesco ainda não se manifestou sobre o futuro da estrutura do HSBC na capital.

A defesa do emprego é um dos principais itens da pauta da campanha salarial aprovada neste domingo. “Vemos com preocupação a venda do HSBC, que tem hoje mais de 20 mil trabalhadores em todo o país e milhões de clientes. E é com eles que o banco precisa se comprometer. Nenhum processo de venda pode causar prejuízo à sociedade brasileira”, disse a presidente do Sindicato dos Banc&aacute,;rios de São Paulo, Juvandia Moreira.