Foto: Allan Costa Pinto
Marisa Stédile: paralisação não está descartada.

Faltando pouco mais de um mês para o vencimento da data-base, os bancários já definiram a pauta de reivindicações para este ano. Eles querem reajuste salarial de 10,3%, incluindo aumento real de 5,5%, criação de um piso salarial e aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A categoria não descarta possibilidade de greve, caso não haja avanço nas negociações. A última grande greve dos bancários na Grande Curitiba foi em 2004 e durou 28 dias. No ano passado e no anterior, também houve paralisações.  

?A greve nunca é descartada pelo movimento bancário. A classe patronal é muito ?dura na queda? nas negociações?, apontou a presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile. ?Tudo vai depender do andamento dentro de um mês, se a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) vai abrir negociação ou não.?

Além do reajuste salarial de 10,3%, a categoria pede a criação do piso salarial de R$ 1.628,24 (hoje, é de R$ 869,33) para escriturário, R$ 2.128,24 para caixa, R$ 2.768,00 para comissionado e R$ 3.582,13 para gerente. Também reivindica PLR de dois salários brutos mais R$ 3,5 mil de parcela fixa, além de auxílio cesta-alimentação e auxílio-creche no valor de R$ 380,00, e vale-refeição de R$ 15,32 – reajustado pelo índice. A pauta de reivindicações é nacional e unificada.

Segundo o dirigente sindical Otávio Dias, membro do Comando Nacional – comissão que negocia com a Fenaban -, a minuta de reivindicações deve ser entregue à classe patronal até a primeira quinzena de agosto. Trinta dias depois, a categoria fará uma avaliação nacional, podendo definir um calendário de mobilização caso não haja agenda de negociação com a Fenaban. ?No ano passado, entre a primeira reunião e a primeira proposta patronal foram quase 40 dias?, lembrou Dias. Em 2006, a categoria pedia a reposição da inflação mais 7% de aumento real, mas conseguiu apenas 3,5% de aumento: 2,85% de reposição da inflação mais 0,7% de aumento real. Em Curitiba, a greve durou três dias.

Lucro dos bancos

Segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), o lucro líquido dos dez maiores bancos do País aumentou em 516,4% entre 2000 e 2006, passando de R$ 4,6 bilhões para R$ 28,5 bilhões. Nesse mesmo período, as despesas com pessoal cresceram apenas 71,6%, passando de R$ 19,5 bilhões, em 2000, para R$ 33,5 bilhões, em 2006. O reajuste salarial concedido, porém, foi de 51,30% – ou seja, parte do aumento nas despesas com pessoal ocorreu devido à contratação de mais funcionários. No ano passado, segundo estimativa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o número de bancários no País somava 435,8 mil – em 1989, eram 800 mil.