Economia

Banana-prata brasileira chega aos EUA por R$ 90 o quilo

Imagem mostra notas de real em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay/ Joel Santana

Uma banana-prata que sai da lavoura mineira por cerca de R$ 6 o quilo pode chegar ao consumidor nos Estados Unidos por R$ 90. A fruta é isenta de taxação, então a diferença de preço está relacionada ao custo do transporte e da logística necessária para fazer a fruta atravessar o Atlântico com qualidade. As informações são da Gazeta do Povo.

O Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas, mas menos de 3% da produção nacional é destinada ao exterior, segundo a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados). Entre janeiro e agosto deste ano, os embarques de frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, somaram US$ 880,52 milhões, alta de 23,67% sobre o mesmo período de 2025, conforme levantamento publicado pelo Comex do Brasil.

Na bananicultura, o país é o quarto maior produtor mundial, com 6,6 milhões de toneladas por ano. O setor movimenta cerca de R$ 13,8 bilhões e gera 500 mil empregos diretos, segundo a Embrapa Mandioca e Fruticultura. Metade da produção vem da agricultura familiar e a maior parte é absorvida pelo mercado interno.

Frete aéreo custa R$ 36 por quilo

O custo do transporte é o grande desafio. O quilo da banana-prata no padrão de exportação sai da lavoura por cerca de R$ 6. Só o frete aéreo custa aproximadamente R$ 36 por quilo. Outras despesas se acrescentam até que a fruta chegue ao consumidor americano por cerca de R$ 90.

Elisa Barreto Leal, CEO da FBL em Minas Gerais, exporta a fruta por avião há cerca de um ano e meio. Para reduzir o custo do frete, ela tenta viabilizar o transporte marítimo, já utilizado por grandes exportadores brasileiros com a banana-nanica. Com apoio da Abanorte (Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas), Elisa aplica orientações de pesquisas realizadas pela entidade em parceria com a Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros).

Hoje a fruta sai de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e viaja cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até o Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde segue de avião para os Estados Unidos. Caso o transporte marítimo se mostre viável, estima-se reduzir o frete em até 30%.

Testes avaliam resistência da fruta em viagens longas

Os testes incluem aplicação de antifúngico, de um produto que inibe a ação do etileno (substância que acelera o amadurecimento), embalagens a vácuo e tecnologias de climatização. Por enquanto, esse acondicionamento está sendo avaliado em remessas aéreas para medir por quanto tempo a fruta mantém a qualidade depois de chegar ao destino. A expectativa é concluir essa etapa entre 30 e 60 dias.

Se os resultados forem positivos, a próxima fase será o envio dos primeiros contêineres por navio. A viagem marítima dura entre 25 e 30 dias. O pesquisador Fernando Haddad, da Embrapa em Cruz das Almas, na Bahia, explica que abrir espaço para outras variedades no mercado externo exige construir uma logística que hoje já está consolidada para a banana-nanica. “Não tem como a gente fazer dissociado. É um trabalho em conjunto”, afirma.

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