O superávit de US$ 2,027 bilhões da balança comercial em novembro, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foi o menor saldo registrado desde abril de 2004, que fechou em US$ 1,971 bilhão. Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, essa é uma tendência que deve se manter nos próximos meses, contribuindo para o fim do ciclo dos altos superávits comerciais.

"O principal fator (de redução do saldo) é o aumento das importações, que tem o dólar como um fator indutor. Isso faz com que as empresas brasileiras passem a consumir mais produtos importados, mesmo tendo um similar nacional. Isso, naturalmente, reduz o superávit", afirma Castro. De acordo com o MDIC, as importações em novembro foram 38,9% superiores a igual período do ano passado e as exportações, 18,1%.

No mês passado, as importações médias diárias, pela primeira vez superaram os US$ 600 milhões, atingindo US$ 601,3 milhões, ante US$ 432,9 milhões do mesmo mês do ano passado. "Se o aumento das importações fosse apenas de máquinas e equipamentos, para aumento da produção, ele seria positivo. Mas uma grande parcela é de matérias-primas e bens intermediários, que estão substituindo a produção local", explica.

Castro ressalta ainda que as exportações médias diárias vêm mantendo nos últimos três meses saldo superior a US$ 700 milhões. Ele diz, porém, que esse crescimento ocorre pelo aumento das cotações dos produtos no mercado externo, e não pelo avanço da quantidade embarcada. "As exportações estão aumentando o ingresso de divisas, sem gerar empregos. E o que gera emprego é quantidade exportada.

Projeções

Com base nos dados divulgado hoje, Castro projeta que as exportações encerrem o ano entre US$ 159 bilhões e US$ 160 bilhões, enquanto as importações devem alcançar de US$ 119 bilhões a US$ 120 bilhões. "Com isso, o superávit deve ficar ao redor de US$ 39 bilhões. O que vai ser uma forte queda em relação ao ano passado, que foi de US$ 46,4 bilhões", observa.

Para 2008, ele prevê um saldo comercial ainda menor, de aproximadamente US$ 30 bilhões. O dirigente alerta, porém, que esse resultado pode ser ainda menor, caso ocorra uma redução do ritmo de crescimento global, provocando uma redução mais acentuada das exportações brasileiras.