Rio (AE)- A partir deste ano, as exportações devem crescer menos que as importações, como conseqüência do esperado crescimento econômico. Esta trajetória já foi apontada pela pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) divulgada sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As exportações e importações cresceram, respectivamente, 10,1% e 10% no último trimestre do ano passado, em relação ao mesmo período de 2002, considerando bens e serviços. Se os investimentos na capacidade produtiva não crescerem muito, dizem especialistas, nos próximos anos essa situação pode levar à volta da chamada “vulnerabilidade externa” – a crônica dependência de capitais internacionais – e à armadilha de conter o crescimento para evitar problemas no balanço de pagamentos.

Este ano, o saldo ainda deve ser grande. “O problema está mais para frente”, diz o economista Fernando Ribeiro, editor dos boletins de comércio exterior e setoriais da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). De acordo com ele, se o crescimento do PIB for de cerca de 4%, as importações podem crescer em torno de 15% e as exportações, ao redor de 10%, garantindo um saldo comercial confortável, no mesmo nível do ano passado, de US$ 25 bilhões.

Nos próximos anos, porém, com as importações aumentando mais que as exportações, o País caminharia para voltar a ter déficits comerciais e em transações correntes com o exterior. Para evitar esse problema e conciliar o crescimento do consumo interno com contas externas saudáveis, é necessário ter um grande aumento dos investimentos e eliminar diversos entraves à exportação, como os de burocracia, tributação e logística, afirma.

O investimento em capacidade produtiva caiu 6,6% em 2003 ante o ano anterior, na maior redução desde 1999. No quarto trimestre do ano passado, em relação ao terceiro, aumentou 4%, mas ainda assim ficou 0,1% menor que nos últimos três meses de 2002.