Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Agência da Receita em Curitiba, com faixas explicando a paralisação.

A adesão dos auditores-fiscais da Receita Federal aumentou de 74% da categoria para 96%. Os cálculos são do Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Unafisco) e foram divulgados ontem pelo presidente da entidade, Carlos André Soares Nogueira. A paralisação começou no último dia 2.

?Esse índice (de adesão) vem aumentando gradativamente à medida que o governo se nega a sentar à mesa e estabelecer um canal de negociação para atender nossas reivindicações?, afirma Nogueira. Segundo ele, estão de fora da greve, por enquanto, apenas as unidades de fiscalização do Aeroporto de Cumbica e do Porto de Santos.

Ainda assim, os auditores do porto pararam suas atividades por 24 horas, na última quarta-feira (24), em protesto contra a resistência do governo em negociar uma tabela de cargo e carreira que corrija distorções funcionais e recupere as perdas salariais dos últimos anos.

?O único culpado de o movimento estar se fortalecendo é o próprio governo, que vem tratando com descaso o nosso pleito, como também os de outras categorias de servidores públicos?, acusa o presidente do Unafisco.

De acordo com ele, na reunião da última quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que tomou conhecimento das reivindicações naquele momento. ?Estranhamos ele não saber de nada, considerando que o secretário da Receita, Jorge Rachid, estava presente naquele momento e tem contato quase permanente com o ministro?, reclama Carlos André Soares Nogueira,

Além da paralisação, os auditores começaram anteontem a devolver cargos e tarefas sob às chefias imediatas para redistribuição. É a primeira vez que essa forma de protesto é adotada pela categoria.

Em assembléia realizada na quinta-feira, na sede do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), representantes de 13 entidades sindicais de servidores públicos resolveram promover o ?Dia Nacional de Valorização das Carreiras de Estado? com o objetivo de induzir a abertura de diálogo de negociação com o governo. Na próxima quarta-feira (31), haverá manifestação.

Banco Central

A greve dos funcionários do Banco Central completou 10 dias ontem. Segundo o Sindicato dos Funcionários do Banco Central (Sinal), o governo afirmou já estar pronta e assinada pelos ministros da Casa Civil e do Planejamento a medida provisória que coloca em vigor o acordo firmado em outubro do ano passado. Esse ato do governo encerraria o movimento grevista de imediato assim que a medida for divulgada oficialmente.

Em carta entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira (24), durante manifestação em Brasília, os trabalhadores cobraram urgência na implementação do reajuste salarial que deveria ter sido parcelado em janeiro e junho e não foi efetivado até agora.

?Cabe lembrar, senhor presidente, que o acordo foi firmado após uma paralisação de 33 dias e uma dura negociação?, destacam os funcionários na carta ao governo. ?A única expectativa que podemos ter é que o acordo seja imediata e integralmente cumprido via Medida Provisória.?

Iniciada em Brasília e estendida às outras regiões, a greve reivindica o cumprimento de acordo salarial e a edição de medida provisória de reajuste de 10% dos salários da categoria.