Atacadistas querem recuperar perdas

Embora tenha registrado um aumento no número de produtos transportados, o setor atacadista distribuidor brasileiro vem amargando uma queda de 1,34% no seu faturamento. Esse número reflete um cenário registrado no primeiro semente de 2006, comparado com o mesmo período do ano passado. As altas taxas de juros teriam contribuído para esse resultado. Apesar disso, os empresários ainda esperam fechar o segundo semestre com um crescimento de até 5%.

A informação foi confirmada ontem pelo presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), Geraldo Eduardo da Silva Caixeta, que está em Curitiba para a 26.ª Convenção Anual do setor, que acontece de 8 a 11 de agosto no ExoTrade, em Pinhais. Segundo Caixeta, a queda no faturamento foi a primeira depois de um ciclo de crescimento que permanecia estável desde 2000. Os maiores reflexos desse prejuízo foram registrados de janeiro a abril, a partir de maio o setor reagiu e atingiu um crescimento de 5,35%. ?Apesar da renda per capita ter dado uma melhorada, tivemos outros reflexos negativos. Um dele foi o agronegócio, pois esse setor teve duas safras negativas, o que gerou ausência de renda e refletiu sensivelmente no consumo?, ponderou Caixeta.

A pequena compensação que os atacadistas e distribuidores esperam ter no segundo semestre, para melhorar o faturamento, está calcada em uma reação tradicional. Segundo o presidente da ABAD, o segundo semente tende a ser mais estabilizado. ?No primeiro semestre as pessoas têm gastos que são previstos todos os anos, como imposto de renda, IPTU e IPVA. Já no segundo semestre o consumidor está mais estabilizado, e isso sinaliza um período melhor?, disse. Em 2005 o setor teve um crescimento real de 6% e faturou R$ 86,5 bilhões – número que representa 58% do mercado de abastecimento brasileiro.

Abicab

Considerada a maior vitrine do setor atacadista distribuidor, a convenção que começa hoje em Pinhais está reunindo 240 expositores, que esperam a visita de mais de 30 mil pessoas. Pelo quinto ano consecutivo será realizada em conjunto com a feira da ABAD, a Sweet Brazil Internacional, promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). O presidente da entidade, Getúlio Ursulino Neto adiantou que só na feira deverão ser lançados 150 novos produtos. ?Escolhemos a feira para esses lançamentos, pois é nela que atingimos o atacado, que representa 45% das compras de chocolate e 80% da balas e confeitos?, disse.

Ao contrário do setor atacadista distribuidor, o setor de doces vai muito bem obrigado. A produção de balas, que foi de 336 mil toneladas em 2005, é o terceiro maior mercado mundial; e o de chocolate, que produziu 222 mil tonadas no ano passado, ocupa a quinta posição no mundo. Apesar de apresentar queda de 4% na produção de balas no primeiro semestre, em função do preço do açúcar e câmbio, o chocolate teve aumento de 8%. Além disso, o setor somou U$S 323 milhões em exportações em 2005, contra US$ 289 milhões em 2004, passando ainda de 144 para 152 países atendidos. Segundo Ursulino, a meta é ampliar ainda mais esses horizontes, e é por isso que durante a feira no Paraná serão realizadas rodadas de negócios com 16 países, entre os quais, Estados Unidos, Equador, África e Austrália.

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