Os argumentos que estão sendo utilizados pelo Banco Central e por analistas do mercado financeiro sinalizando um possível aumento da taxa de juros básica da economia (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na semana que vem, são inconsistentes na avaliação da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Segundo o presidente da entidade, Abram Szajman, não há excesso de demanda no mercado, mas uma "recomposição gradual do consumo, após décadas de retração causada pelo arrocho monetário". "Esta recomposição está centrada na oferta de crédito e nos programas intensivos de transferência de renda, sem gerar qualquer pressão de preços que justifique uma elevação dos juros", afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira (11).

Para a Fecomercio, o aumento da Selic não será eficiente no controle da inflação e trará conseqüências negativas ao País, como a valorização do real, estimulando as importações em detrimento da indústria nacional; aumento da dívida pública; redução do investimento público; redução na geração de emprego e renda, com elevação do risco de inadimplência.

Szajman considera que não há aumento generalizado de preços, pois de acordo com o Índice de Preços no Varejo (IPV) apurado pela entidade, apenas alguns setores tiveram altas, como o de material de construção, supermercados e açougues, enquanto outros registraram baixas, como eletroeletrônicos, combustíveis e lubrificantes.

"Ao invés de elevar a taxa de juros, o governo deveria é cortar os seus gastos, que representam o principal obstáculo ao crescimento sustentado da economia", defende o presidente da Fecomercio-SP, que destaca que a previsão para o ano é de que o gasto público aumente 10,5%, mais que o dobro do crescimento de 4,8% estimado para 2008.