Argentina não paga, mas faz acordo com FMI

Após deixar de pagar parcela de US$ 2,9 bilhões anteontem, o governo da Argentina conseguiu fechar novo acordo com o FMI. Com este acordo, a Argentina estenderá o prazo para o pagamento de dívidas no valor total de US$ 12,5 bilhões, que vencem nos próximos três anos. O acordo ficou exatamente como queria o presidente Néstor Kirchner. Não haverá qualquer cronograma de aumento das tarifas congeladas de serviços públicos nem a compensação aos bancos no valor de US$ 2,6 bilhões por perdas devido à desvalorização da moeda local.

Ainda não há informações sobre a política de metas de superávit fiscal, o dinheiro economizado para o pagamento da dívida pública.

“O acordo está pronto, o presidente ainda tem que assiná-lo. Não vai haver triunfalismo, mas isto demonstra que é possível chegar a acordos a partir de uma postura de dignidade”, disse uma fonte do governo, que pediu à Reuters para não ser identificada.

Moratória

Anteontem, a Argentina deixou de efetuar o pagamento de US$ 2,9 bilhões de uma dívida e entrou “tecnicamente” em moratória com o FMI. Foi o maior “default” (moratória) da história do FMI.

O último acordo da Argentina com o FMI venceu no dia 31 de agosto.

Negociações

Ontem pela manhã, o chefe de gabinete de ministros, Alberto Fernandez, disse a uma rádio local que a Argentina poderia fechar um novo acordo nas próximas horas. Afirmou, no entanto, que esse acordo tem que “permitir o desenvolvimento econômico sustentável e tem que ser socialmente sustentável”.

Ele indicou que o país não aceitaria fixar uma meta de superávit primário, que comprometa investimentos na área social ou que dificulte o crescimento econômico.

O Banco Central da República Argentina divulgou que não precisou adquirir moedas para garantir a manutenção do preço do dólar.

Palocci pendurado ao telefone

Depois de críticas na Argentina do silêncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso da moratória com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, informou que esteve o dia todo em contato com o governo argentino. Palocci, segundo informações do governo, passou o dia em contato por telefone com o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, quando prestou sua “solidariedade”.

O jornal Clarín, divulgou que a Argentina viu na posição de neutralidade do brasileiro um contraste com as declarações de apoio recebidas de outros países latino-americanos.

Por outro lado, houve manifestação de apoio a um acordo entre Argentina e FMI vindos dos presidentes do Chile, Colômbia, Peru e México e de diplomatas norte-americanos e canadenses fizeram.

Segundo o Clarín, os diplomatas do país vizinho tentaram durante todo o dia encontrar Lula por telefone, mas as chamadas não foram respondidas.

O governo argentino se opunha a um cronograma de aumento das tarifas congeladas de serviços públicos, nem a compensação aos bancos no valor de US$ 2,6 bilhões por perdas devido à desvalorização da moeda local e tampouco ao banco estabelecer índices de aumento do superávit fiscal primário.

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