Buenos Aires  – O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, anunciou ontem que enviou o rascunho da carta de intenções para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Este rascunho é a quarta versão trocada entre o governo do presidente Eduardo Duhalde e o organismo financeiro.

Versões extraoficiais que circulavam nos âmbitos governamentais indicavam que – por ordem categórica do presidente Eduardo Duhalde – o ministro Lavagna havia concordado em ceder em diversas exigências feitas pelo FMI nos últimos tempos, e que ele resistia em aceitar.

O ministro Lavagna confirmou parcialmente o recuo argentino nas exigências, ao afirmar que este é o momento de realizar “pequenos ajustes” nas tarifas dos serviços públicos. O FMI exige um aumento dessas tarifas, congeladas desde o início do ano, quando o governo desvalorizou a moeda nacional, o peso.

O FMI exigia aumentos de 30%, mas nos últimos dias começou a aceitar níveis de até 15%. O governo Duhalde, que inicialmente recusava-se em aceitar qualquer aumento acima de 10% agora estaria disposto a permitir um aumento maior em alguns serviços públicos.

Outro ponto no qual o governo argentino teria cedido é o da ampliação do ajuste fiscal. O FMI pretende que o ajuste seja de 2,5% do PIB, enquanto que o governo Duhalde – originalmente – só aceitava um aumento de 2,1%. Mas agora, pressionado pelos prazos para conseguir um acordo, aceitaria a ampliação exigida pelo fundo.

O governo está correndo contra o relógio para obter um acordo com o FMI “sim ou sim” antes do dia 14 deste mês. Nessa data, vence uma dívida de US$ 850 milhões que o país possui com o FMI. No entanto, o governo afirmou categoricamente em diversas ocasiões que não pretende utilizar as reservas do Banco Central para pagar esta dívida.

Ontem, milhares de desempregados marcharam pelas ruas do centro de Buenos Aires causando o caos no trânsito. Os manifestantantes, que pediam comida e trabalho, cortaram as principais avenidas da cidade, como a 9 de Julio, Corrientes e a Avenida de Mayo.