Rio (AE) – O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, ameaça ir à arbitragem internacional para recuperar investimentos feitos na Bolívia, mas a experiência mostra que o caminho pode ser longo e árduo. O único caso contra o país vizinho já avaliado pelo Centro Internacional de Resolução de Disputas de Investimentos (Icsid, na sigla em inglês), levou seis anos e terminou em vitória para a Bolívia.

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A arbitragem foi pedida pela empreiteira americana Bechtel, valendo-se do mesmo tratado de proteção de investimentos entre Holanda e Bolívia citado por Gabrielli – em entrevista na semana passada -, como regulador das relações entre a estatal e La Paz. A Bechtel procurou o Icsid para tentar reaver US$ 25 milhões investidos na privatização do sistema de abastecimento de água de Cochabamba, segunda maior cidade do país.

A concessão foi obtida em 1999, mas suspensa no ano seguinte depois de violentas manifestações contra aumentos de tarifas, no que ficou conhecido como a ?guerra da água?, conflito que deixou seis mortos. Em 2000, a Bechtel pediu arbitragem do Icsid, que é ligado ao Banco Mundial, pedindo indenização. No início deste ano, anunciou um acordo com o governo boliviano, isentando La Paz por ter suspendido a concessão e a empresa por ter abandonado o país.

No aspecto político, há semelhanças entre as crises da Bechtel e da Petrobras na Bolívia. Nos dois casos, as mudanças foram provocadas por protestos populares – a chamada ?guerra do gás?, em 2003, provocou 74 mortes e fechou as principais vias de acesso à capital boliviana por dias. Além disso, as duas empresas tentaram se proteger investindo na Bolívia com subsidiárias holandesas, sob as regras do tratado bilateral.

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Mas, no caso do petróleo, as mudanças nas regras são feitas de forma oficial, com a edição de novas leis, o que pode reforçar os argumentos da estatal. Além disso, com investimentos que ultrapassam US$ 1 bilhão, a Petrobras deve resistir mais a aceitar um acordo, conforme vem demonstrando Gabrielli. ?Não vamos aceitar ser expulsos da Bolívia?, disse o executivo em entrevista. ?Vamos até o fim para recuperar nossos investimentos ?