Sondagem feita pelo Banco Central com analistas de mercado aponta que, na média, a expectativa destes profissionais subiu para um superávit primário (economia de receitas destinada a abater a dívida pública) equivalente a 4,45% do PIB (Produto Interno Bruto), contra uma meta oficial de 4,25%. O dado é pesquisado regularmente pelo BC, mas não faz parte das expectativas de mercado divulgadas a cada semana.

Em dinheiro corrente, a diferença entre a meta oficial e o resultado esperado pelo mercado representa cerca de R$ 4 bilhões, ou quatro vezes todo o investimento federal até o último dia 12. Há, no entanto, quem calcule uma economia adicional de até R$ 14 bilhões.

A projeção dos especialistas, até o momento, nada tem a ver com a orientação da política fiscal. O superávit deverá ser maior em razão de efeitos colaterais e problemas enfrentados pelo governo: o aumento da carga tributária, que contraria a promessa oficial; a paralisia administrativa, agravada pela crise política; e a perspectiva de reajuste do preço da gasolina.

Neste mês, a consultoria Tendências, por exemplo, elevou sua projeção para 4,5% do PIB, mas, como avalia o economista Guilherme Loureiro, o cálculo é ?conservador?. O volume esperado de gastos com pessoal deve ser revisto para baixo, o que levará a projeção da empresa a 4,8% do PIB.

A LCA Consultores incorporou a seu cenário básico (mais provável) a expectativa de um superávit de 4,75% do PIB, chamando a atenção para a lentidão na execução do Orçamento. Nota-se, nas estatísticas orçamentárias, que os investimentos públicos são as maiores vítimas da paralisia administrativa, agravada pela crise política que envolveu o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

Até o último dia 12, só 4,68% dos R$ 22 bilhões autorizados pelo Orçamento deste ano haviam sido gastos pelos ministérios. Projetos tidos como prioritários, caso da transposição do São Francisco e a recuperação de estradas, ainda estão nos trâmites burocráticos.

Por isso, apesar do aumento sazonal de despesas no segundo semestre, a LCA aposta num superávit recorde neste ano. ?Dado o esforço recorde obtido até aqui e as aparentes dificuldades dos ministérios setoriais em acelerar os gastos, é improvável que o governo federal consiga executar todo o Orçamento liberado até o final do ano?, diz boletim da empresa.

O aumento da carga tributária, que o governo nega a despeito dos números, também encoraja a aposta no megassuperávit. Em 2004, a arrecadação atingiu 35,91% do PIB, maior patamar já registrado. Neste ano, a Receita segue divulgando recordes sucessivos.

?Apesar da expectativa inicial de uma estabilidade das receitas do governo federal como percentagem do PIB (…) as receitas do Tesouro mantiveram o crescimento nos primeiros meses do ano?, avalia a Tendências.