O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, criticou nesta segunda-feira, 09, os estudos do governo para reduzir a alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) e acabar com os subsídios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Moan destacou que o setor registrou resultados ruins em janeiro, o que confirma a expectativa de um primeiro trimestre extremamente difícil para as vendas. Segundo ele, o fim do PSI na metade deste ano, conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na última sexta-feira, pode agravar a situação, principalmente nas vendas de caminhões.

Moan disse que a retração nas vendas de caminhões, em janeiro, foi de 28%. “Suplantou nossas expectativas”, afirmou. Ele lembrou que somente na quarta-feira da semana passada o BNDES baixou uma circular com taxas de juros fixas para o PSI. “Isso deu um alento para o setor automotivo, considerando que o consumidor não vai comprar caminhão com taxa variável”, disse, após reunião no Palácio do Planalto para discutir o plano nacional de exportação, que deve ser lançado no mês que vem.

“Eu não consigo ver sustentação da venda de caminhão sem o PSI e sem o Finame”, disse. Moan explicou, no entanto, que as linhas do Finame não têm tido procura, porque uma parte da correção é variável. O ideal, para ele, seria taxa de juro fixa, como no PSI.

“Precisamos da manutenção do PSI”, defendeu. O presidente da Anfavea defendeu que a continuidade do Reintegra com alíquota de 3% é peça fundamental do plano nacional de exportação. “Defendemos não só que o Reintegra seja mantido em 3%, como seja dado em caráter permanente”, afirmou. “Enquanto não tivermos previsibilidade, não temos como precificar os nossos contratos”, completou.

Conforme o Broadcast antecipou, a equipe econômica do governo tem estudado o retorno da alíquota do Reintegra de 3% para 0,1%, o menor patamar permitido por lei. Hoje, o programa devolve às empresas 3% do valor exportado em manufaturados e é considerado um instrumento importante de competitividade pelas companhias. No entanto, o programa é avaliado como caro pela área econômica e pode sofrer um recuo na alíquota para que o governo aumente a arrecadação e tente alcançar a meta de superávit primário deste ano.