O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, afirmou nesta terça-feira, 7, que vai se reunir com o Tesouro Nacional na próxima semana para discutir a redução dos aportes para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O fundo banca o programa de redução da conta de luz e teve sua previsão de aportes reduzida de R$ 13 bilhões para R$ 9 bilhões. Rufino disse que há uma sinalização de que o Tesouro pode recompor parte dessa redução dos aportes de outra forma.

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O diretor-geral disse que é possível parcelar dívidas do fundo setorial com empresas, como distribuidoras e a própria Petrobras. Dessa forma, o governo poderia colocar os pagamentos da CDE em dia sem reduzir os gastos de forma efetiva. Uma das dívidas do fundo é com a Petrobras, pelo uso de diesel e óleo combustível pelas térmicas da Região Norte.

Em agosto, a Eletrobras, gestora dos fundos setoriais, conseguiu negociar uma dívida de R$ 1 bilhão com a Petrobras e dividi-la em 85 parcelas. Segundo Rufino, essa renegociação pode reduzir a necessidade de aportes do Tesouro nos fundos setoriais. “Essa negociação ainda não está refletida no fluxo original da CDE, que pressupunha o pagamento nas datas de vencimento”, afirmou. Parte do R$ 4 bilhões foi coberta pelo pagamento da dívida da Celg com os fundos setoriais do governo federal, de R$ 1,2 bilhão.

Na semana passada, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, revelou que a maior parte do empréstimo da Caixa para a distribuidora, que totalizou R$ 1,9 bilhão, voltará para o próprio governo. Dessa forma, considerando o pagamento da dívida da Celg (R$ 1,2 bilhão) e o parcelamento das dívidas do fundo com a Petrobras (R$ 1 bilhão), o governo já teria conseguido reduzir a necessidade de aportes em R$ 2,2 bilhões. Ainda faltaria arrumar uma forma de resolver o R$ 1,8 bilhão que ainda falta para completar os R$ 4 bilhões.

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O diretor-geral da Aneel disse que é pouco provável reduzir os gastos dos fundos, mas é possível alongar os prazos de pagamento de outras de suas despesas. “Talvez não tenha muito espaço para reduzir o gasto em R$ 4 bilhões, mas tem essa possibilidade de alongar e diluir o pagamento. Aí é possível reduzir o gasto sob o ponto de vista financeiro”, explicou.

Rufino disse que o atraso nos pagamentos dos fundos setoriais às empresas do setor elétrico se deve à falta de recursos. “No mundo ideal, o fluxo de entrada e saída de recursos da CDE estaria rigorosamente em dia, mas infelizmente não está tão em dia assim. Temos alguns pagamentos em atraso”, disse.

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“Temos absoluta convicção da necessidade de regularizar esses pagamentos e fazer com que o fluxo de entrada de recursos seja compatível com os pagamentos. Não tem sido assim porque temos tido dificuldade de repassar os recursos. Não é uma vontade deliberada, é por falta de recursos”, afirmou. “É evidente que não há recursos parados na CDE.”