O volume de operações de debêntures incentivadas deverá crescer ao longo do segundo semestre do ano, de acordo com a diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carolina Lacerda. “Esse é o grande objetivo”, disse, em teleconferência.

Carolina destacou que esse tem sido um grande foco do governo. “A expectativa é fazer com que os ministérios aprovem com rapidez mais projetos. Há novos programas de concessões e vai precisar de financiamento para isso”, disse.

A diretora da Anbima lembra que para destravar as debêntures de infraestrutura há dois pontos que exigem atenção, do lado da demanda em relação aos projetos e em relação aos investidores interessados no papel. Do lado dos projetos, a percepção é de que haverá a necessidade das emissões para o financiamento, tendo em vista o programa de concessões que deve se desenrolar neste ano. Já do lado do investidor, Carolina lembra que, embora essas debêntures contem com isenção de Imposto de Renda (IR), esses ativos são mais longos e possuem mais risco. “Hoje temos produtos no Brasil de baixo risco, alto retorno e de prazos curtos. Algumas questões ainda precisam ser equacionadas”, lembra.

IPOs de empresas públicas

As ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de companhias com presença do governo no capital social deverão predominar no segundo semestre deste ano, disse Carolina. “É esperada essa situação, com o governo anunciando ofertas grandes para levantar capital”, disse.

Para a próxima janela de oportunidade, após as férias do Hemisférios Norte, entre os meses de setembro e outubro, são aguardadas duas ofertas de empresas de capital misto, do setor de seguros, o IRB e a Caixa Seguridade. Em fase mais preliminar, mas cujas operações podem acontecer ainda neste ano, estão a Infraero e a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.

Carolina destaca que a oferta da Par Corretora, cuja demanda superou a oferta em cerca de dez vezes, chamou a atenção de empresas na fila. Segundo ela, depois de alguma outra oferta bem sucedida em setembro/outubro, a movimentação das grandes empresas privadas deverá ficar mais evidente.

A diretora da Anbima lembra que existe hoje uma carência de ofertas para os investidores de renda variável. O único IPO neste ano foi o da Par Corretora. Em 2014 a bolsa brasileira só viu também apenas uma oferta inicial, a da Ourofino, do setor veterinário. Carolina lembra que no caso da Par Corretora o preço da ação no âmbito da oferta veio acima do teto originalmente estipulado, mas, eventualmente, dependendo da história da empresa candidata ao IPO, a precificação poderá ser dada pelos investidores, trazendo, assim, certo desconto. “Estamos observando também uma maior preocupação dos investidores por governança e transparência e as empresas estão cientes disso”, destacou.

Emissões externas

A diretora da Anbima disse que as emissões vindo do setor de alimentos e bebidas surpreenderam positivamente nesse primeiro semestre, mas que no geral os números do período denotam pessimismo. Segundo dados da associação, o mercado de captações externas totaliza US$ 5,9 bilhões em junho, com retração de 20,8% na mesma base de comparação. No mês, seis companhias brasileiras emitiram quase US$ 6 bilhões.

“Para o cenário externo deveremos ver emissões apenas de empresas grandes. O cenário é ruim até o final do ano, tanto em relação às emissões no mercado doméstico quanto no externo”, diz.